Pelo menos até então garimpada.
Que espetáculo.
O cara tem bolas de aço, faz manobras radicais a cavalo e nem dá pra ver as cordinhas e rampas dos efeitos especiais.
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Pelo menos até então garimpada.
Que espetáculo.
O cara tem bolas de aço, faz manobras radicais a cavalo e nem dá pra ver as cordinhas e rampas dos efeitos especiais.
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Num dia, um colunista aqui de Porto Alegre fala sobre a crise na saúde e outros assuntos menos importantes. Só quem lê a coluna dele soube disso.
Noutro dia, o mesmo colunista fala sobre as coxas que encantam. Coxas grossas, suculentas, maravilhosas de mulheres lindas e gostosas e aquela insatisfação e/ou frustração que as mulheres comuns acabam tendo ao perseguir a forma perfeita. Mais ou menos aquele texto que volta e meia chega nos nossos e-mails, enaltecendo as pessoas “maizomenas”.
Qual coluna acabou rendendo uma matéria? As coxas, é claro.
É por isso que o Brasil não vai pra frente. Não que eu não goste de coxas de mulheres lindas e gostosas.
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Watson, você está usando salto alto?
A grande pergunta que pairava no ar acerca do Sherlock Holmes dirigido por Guy Ritchie – com a escolha inesperada de Robert Downey Jr. para o papel e com Jude Law como um dos poucos Watsons do cinema mais altos que o próprio Holmes _ era se o estilo marcado do diretor, já sobejamente conhecido por filmes como Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes conseguiria preservar, como havia prometido, a essência básica do personagem. Se Ritchie cumpre, ao menos em parte, essa tarefa, é porque, como qualquer personagem desenvolvido reiteradamente por seu autor ao longo de 30 anos, quatro romances e 56 contos, Holmes tem tantas facetas que, para uma mudança de abordagem, só é preciso saber selecionar o material certo.
A origem da adaptação de Guy Ritchie é uma série de histórias em quadrinhos escrita por Lionel Wigram – uma das coisas que deixaram o autor deste texto bem preocupado, na época, foi que o Omelete anunciava como uma grande qualidade o fato de a adaptação “deixar de lado algumas frescuras vitorianas e se concentrar na ação“. Pera lá, meu fio: algum de vocês leu o Sherlock? O que vocês chamam de “frescuras vitorianas” é hoje uma das grandes qualidades literárias das histórias de Conan Doyle: o leitor, na maioria das histórias de Holmes, não é convidado a deduzir junto com ele, pelo contrário, sempre precisa da presença de Watson para entender como Holmes chegou às conclusões que, à primeira vista, parecem mais magia do que lógica dedutiva. Logo, o mistério, o enigma, não é o principal dos assim chamados “romances policiais” de Arthur Conan Doyle, e sim dois eixos centrais: o retrato da Londres vitoriana e a dinâmica da relação entre Holmes e Watson. Abandonar um desses pilares em nome de uma supostamente meritória “ação” parecia o atalho certo para que o edifício ruísse.

Querido, que história é essa de "frescuras vitorianas"?
O filme comprova essa premissa: o que ele tem de válido vem da nova interpretação para esses dois pilares: a relação entre os dois personagens principais e o retrato cru da Londres suja de becos e vielas do período. Já a ação em si não empolga pela deficiência mais básica de um cineasta: Ritchie parece ter enrolado todo mundo esse tempo todo se apresentando como um diretor de ação, quando, pelo que se vê em Holmes, fica claro que ele não sabe filmá-la. Talvez Ritchie seja bom com tiroteios de automáticas e sujeitos sentados atrás de uma mesa de bar ou de pôquer, mas sua condução das (excessivas) cenas de luta em Sherlock Holmes é atroz: planos entrecortados, cortes frenéticos em ambientes escuros que não dão muita chance ao espectador de saber quem está batendo e quem está apanhando. A única exceção é quando Holmes planeja golpe por golpe seus movimentos em uma luta (algo que ele faz na cena inicial e depois na do pugilato). Mas aí fica fácil entender: Holmes visualiza seus golpes em câmera lenta e depois o diretor repete as cenas em ritmo acelerado. Vendo duas vezes, é mais fácil. Quando a luta não conta com esse recurso, é uma mixórdia.
Mas voltando ao material original. Muitos pretenderam reclamar de um certo desvirtuamento do personagem nas mãos de Ritchie, o que é bobagem: o roteiro de Sherlock Holmes apenas se propõe a fazer uma seleção de elementos menos “família” nas histórias criadas por Conan Doyle, elas próprias plenas de contradições e incongruências que o autor deixou passar de um texto para o outro. O Holmes do filme é um excêntrico que não consegue manter a tranquilidade quando está longe de um caso, o que, se combina com histórias como O Signo dos Quatro, contradiz a afirmação de Watson em Um Estudo em Vermelho de que Holmes “tinha maneiras tranquilas e hábitos regulares”.
O Holmes do filme é tão exímio com os punhos quanto com seus afiados raciocínios, como já falamos – e isso também vem das histórias de Conan Doyle. No conto O Ciclista Solitário, incluído no volume A Volta de Sherlock Holmes, o detetive é agredido por um brutal cavalheiro que, incomodado com as perguntas que o investigador anda fazendo, parte para cima dele. Holmes reage e seu oponente leva a pior. A diferença do filme, entretanto, é que em Conan Doyle não vemos a violência. Ela é narrada por Holmes depois de retornar da viagem em que se deu o episódio. Como convinha à época, Doyle mostrava pouco e narrava muito. Os episódios são contados, não descritos.
No romance O Signo dos Quatro, Holmes recebe de um boxeador profissional, McMurdo, com quem havia lutado em um evento beneficente, o elogio de que poderia ter ido longe se se dedicasse a lutar profissionalmente, logo, sua habilidade marcial não é estranha. O que realmente desconcerta os leitores no novo filme, contudo, é que o Watson do filme também luta muito bem. Ritchie explica essa circunstância pelo fato de Watson ser ex-militar, o que seria bastante plausível. A não ser pelo fato de que já na primeira história do detetive, Um Estudo em Vermelho, o fiel auxiliar conta que precisou reformar-se do exército britânico, no qual era oficial médico, depois de levar um tiro de mosquete no ombro _ o que resulta em fratura do osso e devia fazer um estrago considerável em meados do século XIX. Em outros livros, Doyle se confunde e o membro ferido passa a ser a perna, mas tanto em um caso como no outro seria de duvidar que alguém recuperado de um tal ferimento poderia ser capaz das proezas atléticas que o assistente de Holmes exibe no filme.

Holmes, seja sincero. Vou precisar da lupa?
Ritchie atualiza com mais violência e brutalidade elementos que vêm das histórias de Doyle – o poder de dedução avassalador de Holmes e os próprios personagens – Rachel McAdams vive a Irene Adler de Um Escândalo na Bohemia, a única mulher que realmente ludibriou Holmes (embora o contato dos dois na literatura, nesse único conto, seja breve e sem a sensualidade do filme). E a deleitável ruivinha Kelly Reilly encarna Mary Morstan, a noiva de Watson e pivô de certa tensão entre os dois amigos – claro que, para isso, Ritchie também inventa a cena do médico apresentando a amada ao melhor amigo, já que, na literatura, Watson conheceu Mary Morstan como cliente do próprio Holmes, na aventura O Signo dos Quatro. A respeito disso, a propósito: essa história traz desdobramentos sombrios envolvendo a família da moça que bem poderiam embasar uma continuação do filme, quem sabe?
A crueza de Ritchie pode provocar algum choque nos que só conhecem Holmes de sua versão higienizada por centenas de adaptações para o cinema. Mas ele ainda não vai tão longe quanto os livros – basta lembrar que a primeira cena do romance O Signo dos Quatro é a de um Holmes agitado pelo tédio entre os enigmas que se dedica a resolver aplicando um pico de cocaína na veia (numa época em que a cocaína ainda era vendida em farmácia, claro). Essa cena em particular não está no filme, ainda que fique subentendido que Holmes, quando não está se entretendo com enigmas desafiadores, se entrega a atividades perigosas para si mesmo – e Downey Jr. profere, na tela, a justificativa textual que Sherlock Holmes usa em O Signo dos Quatro: “O meu espírito rebela-se contra a estagnação”.
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Avatar, a ambiciosa empreitada de James Cameron, está prestes a se tornar a maior bilheteria da história do cinema. Um marco e tanto, ainda que se façam necessárias algumas ressalvas: o ranking, da forma como é elaborado, desconsidera o ajuste da inflação ao longo dos anos. Com a desvalorização da moeda, …E o Vento Levou permanece como recordista absoluto, ainda que já tenham passado 70 anos de seu lançamento. E mesmo na comparação com o grande recordista contemporâneo, Titanic (também de Cameron, 1997), é grande a diferença em número de ingressos vendidos. Trocando em miúdos: apesar de levar menos pessoas aos cinemas, Avatar vem faturando muito mais que seus predecessores. Clique aqui e leia mais…
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Recebi essas fotos do meu amigo Paulinho Curva, do grupo de motoqueiros Liberdade Vigiada.
Para quem conhece o lugar, um espanto. Para quem não conhece… essas são fotos de uma rua que fica grudadinha do velho Guaíba, que não sei se é lago, lagoa, estuário ou o raio que o parta. Só sei que é uma coisa meio suja, gigante e que é normalmente muito calma. A última vez que ele invadiu a cidade, entretanto, inundou boa parte da capital dos gaúchos. O pai do nosso companheiro Espantalho viu tudo de perto, lá pelos anos 40, eu acho.
Agora, em 2009 a força do vento foi tanta que empurrou a água uns bons 10 metros de areia acima, invadindo a Av. Guaíba. Fui lá no outro dia para ver de perto. Tinha areia até dentro dos bares, que ficam na orla.
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Aí está! A cara dos atores que estão em carne e osso vivendo a história do Avatar Aang desaparecido por cem anos.
A não ser pelo bico de chupar ovo cru do Sokka, gostei do elenco. Ainda tenho esperanças nesse The Last Airbender.
Arquivado em: Cinema | Etiquetado: Avatar | 2 Comentários »
00:00:10 – Transilvânia, 1804. Um andarilho vagueia cambaleante pela região montanhosa dos Cárpatos. Sua fisionomia revela que é de origem oriental, provavelmente chinesa.
00:02:14 – O andrajoso peregrino (Shen Chan) mal consegue disfarçar seu contentamento ao divisar um certo castelo no horizonte. Sua jornada finalmente chegou ao fim.
00:02:25 – O chinês desce ao porão da fortaleza, um ambiente nada assustador,
banhado em tons de verde e laranja.
00:02:53 – Avistamos um ataúde com uma imensa letra “D” gravada na lateral; presumivelmente, não é de “discreto”.
00:03:04 – Um par de morceguinhos serelepes, pendurados em fios de nylon, vem recepcionar o visitante.
00:03:15 – Ajoelhado diante do caixão, o homem faz uma solene reverência. A tampa da tumba se move, e de seu interior emerge simplesmente o Conde Drácula mais frutaço da história do cinema (John Forbes-Robertson, uma espécie de reserva de Drácula do Christopher Lee na Hammer).
00:04:15 – “Quem ousa invadir os domínios de Drácula?”, pergunta a mona, enfezada. Ainda de joelhos, e com os olhinhos praticamente ocidentais de tão arregalados, o forasteiro se apresenta: “Meu senhor, eu sou Khan, o sumo-sacerdote dos Sete Vampiros Dourados de Ping Kwei, na China. Quando os vampiros caminhavam sobre a terra, meu templo era o centro de todo o poder na região. O populacho era leal a mim. Mas agora os vampiros dormem e as pessoas vivem da forma que bem entendem. Perdemos o poder. Caminhei por muitas luas procurando o seu castelo, e agora curvo-me diante do senhor, pedindo ajuda. Ressuscite os sete vampiros dourados! Permita que a lenda viva novamente!” Que texto! Laurence Olivier deve ter se roído todo de inveja por não ter sido ele a declamar tão rica prosa. A resposta do Conde, contudo, é bem menos eloquente: - “Patife! Eu não faço favores!”
00:05:45 – Cansado da vida miserável em seu castelo, Drácula resolve assumir a
forma do visitante recém-chegado: - “Eu preciso de seu corpo mortal. Preciso da forma de sua carcaça miserável. Preciso de sua vil imagem. Preciso percorrer novamente essa terra, sair desses muros. Libertar-me desse mausoléu. Regressarei ao seu templo com a sua imagem, Khan. Eu serei o mestre dos sete vampiros dourados. Eles serão a ferramenta para minha vingança contra a humanidade. Vou ocultar-me no seu manto. Com sua aparência… Com sua imagem…” Drácula arreganha os caninos e uma fumacinha azul ascende do solo. Coitado do Khan, perdeu a viagem. Num passe de mágica, o espírito malévolo do arqui-vampiro encarna no couro do desafortunado chinês. E assim termina a introdução de A Lenda dos Sete Vampiros (1974), insólito resultado do encontro da Hammer (a lendária companhia inglesa especializada em filmes de horror) com a Shaw Brothers (produtora de Hong Kong conhecida por suas fitas de artes marciais). Sim… Shaolin encontra Drácula! Roy Ward Baker o nome do responsável por essa indigesta salada de gêneros.
00:09:45 – Chung King, China, 1904. Cem anos depois dos sinistros acontecimentos acima descritos, vamos encontrar o professor Van Helsing (Peter Cushing) ministrando uma palestra na Faculdade de História da universidade local. O lendário caçador de vampiros narra a uma plateia incrédula a “Lenda dos Sete Vampiros Dourados”: “as lendas da antiga China são milenares. Algumas são inventadas e terríveis em suas implicações. Outras são reais, fundadas sobre a verdade. Há uma aldeia amaldiçoada situada em algum lugar da vastidão da China cuja maldição se repete a cada ano durante a sétima lua. Escuta com pavor os lamentos das almas atormentadas e o medo apodera-se do coração de seus habitantes. Todos sussuram a palavra “vampiro”, e o horror é real, e muito próximo. De tempos em tempos um homem valente, cansado de tanta dor e ira frustrada, arma-se com valor e sai dos muros de sua aldeia para enfrentar os monstros que atormentam seu povo. Há alguns anos existiu um homem assim; um agricultor, um pobre pai que tinha perdido seu bem mais precioso para os vampiros. Seu nome era Hsi Tien-en (vemos o pobre Hsi se arrastando sobre uma perna côxa, armado de uma enxada, indo ao encontro dos sete vampiros. Eu não apostaria uma pataca nele…). Clique aqui e leia mais…
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A partir da segunda metade da década de 1980, o diretor norte-americano John Hughes estabeleceu novos parâmetros para a comédia adolescente, um gênero àquela altura esgotado pelo hedonismo desenfreado (e de qualidade duvidosa) de O Clube dos Cafajestes, Porky’s, A Última Festa de Solteiro e outros menos cotados. Criou um novo nicho de mercado, com títulos como O Clube dos Cinco, A Garota de Rosa Shocking, e é claro, o pai deles, Curtindo a Vida Adoidado. Diferentemente de seus antecessores, os personagens de Hughes não estavam interessados apenas em afogar o ganso e encher a cara, a lá John Belushi.
Bons intérpretes, diálogos afiados, situações mais verossímeis, próximas do universo dos jovens, tudo isso embalado ao som de uma trilha sonora com o melhor do pop da época: ingredientes que transformaram Hughes na maior referência do gênero, apesar de eventuais escorregadelas no campo fácil dos clichês, como o da mocinha pobre apaixonada pelo janota riquinho. E ainda que tenha entrado em franca decadência após o sucesso da série Esqueceram de Mim no início dos 90, a influência do estilo de Hughes permaneceu. As comédias voltadas para o público jovem realizadas nas décadas
seguintes continuaram rezando pela sua cartilha: Ela é demais, Dez coisas que eu odeio sobre você, Mal posso esperar, todas copiavam desbragadamente seus filmes. O êxito nas bilheterias provou que a fórmula ainda funcionava. John Hughes morreu esse ano, sem que se pudesse apontar um substituto à sua altura. Greg Mottola, o cidadão alopécico da foto, é quem está aos poucos se credenciando como o sujeito mais indicado pra ocupar o trono vago.
O último trabalho de Mottola, Adventureland, é um bildungsroman da melhor qualidade, ambientado nos mesmos anos 80 que Hughes retratou tão bem em sua obra. James Brennan (Jesse Eisenberg) termina o colegial, e como presente de formatura, planeja conhecer a Europa, antes de ingressar na faculdade em Nova York. Para seu infortúnio, entretanto, o pai é rebaixado no emprego, passando a receber um salário bem menor. O sonho de ir ao Velho Mundo escorre pelo ralo, e Brennan se vê obrigado a arrumar um trabalho para tentar garantir pelo menos a ida à Grande Maçã.
O tal emprego é no parque de diversões que dá título à fita, administrado por Bill Hader e Kristen Wiig (comediantes impagáveis egressos do Saturday Night Live). O nome Adventureland acaba funcionando como uma metáfora: ao trocar a adolescência pelo mundo adulto, Brennan se lança em um território estranho, repleto de possibilidades e descobertas. Enquanto é obrigado a escutar trocentas vezes por dia a infame Rock me Amadeus nos auto-falantes do parque, o rapaz forma novos laços de amizade, encara responsabilidades e dilemas bem diversos daqueles experimentados em sua vida anterior, e como não poderia deixar de ser, é premiado com a chegada do primeiro amor.
Mottola leva uma grande vantagem sobre Hughes: seus personagens e as situações por eles vividas não são tão pasteurizados, folhetinescos. Trazem consigo maior carga de sinceridade e guardam uma proximidade com o real com a qual o criador do Ferris Bueller sequer sonharia. O universo de Mottola é bem mais honesto. Em Superbad, um projeto pessoal/autobiográfico escrito por Seth Rogen, o ator-fetiche do Judd Apatow, já era possível divisar o talento do diretor, tanto na maneira como a história era conduzida como no desempenho extraído dos protagonistas. Um pequeno grande filme. Já Adventureland, escrito e dirigido por ele, é uma obra mais autoral. E o cara não faz feio, superando com folga as expectativas. Para que não reste nenhuma dúvida quanto ao seu talento como diretor de elenco, o cara consegue arrancar boas atuações até mesmo dos insuportáveis Kristen Stewart e Ryan Reynolds. Uma proeza e tanto! O protagonista Jesse Eisenberg, que este ano também emplacou o ótimo Zombieland, é um Michael Cera menos efeminado e um nome promissor na indústria.
Confira aqui o trailer de Adventureland, que pelo que ouvi falar, recebeu aqui no Brasil o inacreditável título de Férias Frustradas de Verão. Teriam os nobres responsáveis pela distribuição julgado uma estratégia inteligente associar o lançamento às infames comédias estreladas por Chevy Chase? Vai saber o que essa gente tem na cabeça!
O Rei Hughes está morto. Longa vida ao rei Mottola?
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Algumas pessoas definitivamente não deveriam estar trabalhando nas profissões que escolheram. John Brancato é uma delas. Considerado um especialista em títulos de ação e ficção científica, Brancato assina os roteiros de algumas das maiores baboseiras já cometidas em celuloide, como os dois últimos Exterminador do Futuro, A Rede, Vidas em Jogo, e a cereja do bolo, Catwoman. A única explicação plausível para que tal sujeito consiga se manter por tanto tempo nessa indústria é a de que esteja comendo alguém muito influente. E comendo bem, diga-se de passagem.
A última abominação de Brancato atende pelo nome de Substitutos (Surrogates, 2009). O filme descreve um futuro em que robôs assumiram o papel dos homens: deitadas na segurança de suas casas, conectadas a máquinas, as pessoas comandam os tais substitutos do título, que desempenham as tarefas do dia-a-dia em seus lugares. Nesse cenário ocorre um assassinato, que o agente do FBI Bruce Willis terá que solucionar, enquanto aproveita para salvar a humanidade pela enésima vez.
Willis parece constrangido, e não é pra menos. Fosse um cara com menos influência no meio, sua carreira teria acabado. Atuando como seu robô-substituto, o astro passa 30 dos intermináveis 90 minutos da fita com um rosto lisinho de boneco e sob uma ridícula peruquinha lôra, que o deixaram parecido com aquele Robert Rey, o infame Dr. Hollywood. 
O diretor, Jonathan Mostow teve um início promissor de carreira com Breakdown, um road movie de primeira protagonizado por Kurt Russel. Mas isso foi há 12 anos: hoje ele não passa de um yes man anódino, que carrega na bagagem porcarias do quilate de U-571 e o Exterminador do Futuro 3 (sua primeira parceria com Brancato).
Substitutos é uma mistura indigesta de The Sims e A.I., onde nada funciona: a história não passa de um amontoado de clichês; as sequências de ação são completamente destituídas de qualquer traço de emoção; e até mesmo os efeitos visuais, que normalmente se salvam em produções desse nível, estão abaixo do padrão. O resultado, como não poderia deixar de ser, foi um desempenho pífio nas bilheterias, insuficiente até mesmo para cobrir os custos da produção: até agora, Substitutos rendeu 37 milhões de dólares, menos da metade de seu inacreditável orçamento, de 80 milhões. A título de comparação, a melhor coisa do ano em matéria de ficção científica, Distrito 9, custou apenas 30 milhões; o que se vê nas telas é um resultado infinitamente superior.
O roteiro é inspirado em uma graphic novel de 2005, escrita por Robert Venditti. Pelo menos Brancato tem alguém com quem dividir a culpa. Essa ladainha toda termina com uma inevitável moral da história: a humanidade jamais deveria ter trocado a experiência do real pela segurança de uma existência vivida através de robôs, de marionetes sem alma.
Sem alma são esses filmes escritos por John Brancato.
Arquivado em: Bobagem, Cinema, Infâmia | Etiquetado: Bruce Willis, John Brancato, Jonathan Mostow, Substitutos | 3 Comentários »