A partir da segunda metade da década de 1980, o diretor norte-americano John Hughes estabeleceu novos parâmetros para a comédia adolescente, um gênero àquela altura esgotado pelo hedonismo desenfreado (e de qualidade duvidosa) de O Clube dos Cafajestes, Porky’s, A Última Festa de Solteiro e outros menos cotados. Criou um novo nicho de mercado, com títulos como O Clube dos Cinco, A Garota de Rosa Shocking, e é claro, o pai deles, Curtindo a Vida Adoidado. Diferentemente de seus antecessores, os personagens de Hughes não estavam interessados apenas em afogar o ganso e encher a cara, a lá John Belushi.
Bons intérpretes, diálogos afiados, situações mais verossímeis, próximas do universo dos jovens, tudo isso embalado ao som de uma trilha sonora com o melhor do pop da época: ingredientes que transformaram Hughes na maior referência do gênero, apesar de eventuais escorregadelas no campo fácil dos clichês, como o da mocinha pobre apaixonada pelo janota riquinho. E ainda que tenha entrado em franca decadência após o sucesso da série Esqueceram de Mim no início dos 90, a influência do estilo de Hughes permaneceu. As comédias voltadas para o público jovem realizadas nas décadas
seguintes continuaram rezando pela sua cartilha: Ela é demais, Dez coisas que eu odeio sobre você, Mal posso esperar, todas copiavam desbragadamente seus filmes. O êxito nas bilheterias provou que a fórmula ainda funcionava. John Hughes morreu esse ano, sem que se pudesse apontar um substituto à sua altura. Greg Mottola, o cidadão alopécico da foto, é quem está aos poucos se credenciando como o sujeito mais indicado pra ocupar o trono vago.
O último trabalho de Mottola, Adventureland, é um bildungsroman da melhor qualidade, ambientado nos mesmos anos 80 que Hughes retratou tão bem em sua obra. James Brennan (Jesse Eisenberg) termina o colegial, e como presente de formatura, planeja conhecer a Europa, antes de ingressar na faculdade em Nova York. Para seu infortúnio, entretanto, o pai é rebaixado no emprego, passando a receber um salário bem menor. O sonho de ir ao Velho Mundo escorre pelo ralo, e Brennan se vê obrigado a arrumar um trabalho para tentar garantir pelo menos a ida à Grande Maçã.
O tal emprego é no parque de diversões que dá título à fita, administrado por Bill Hader e Kristen Wiig (comediantes impagáveis egressos do Saturday Night Live). O nome Adventureland acaba funcionando como uma metáfora: ao trocar a adolescência pelo mundo adulto, Brennan se lança em um território estranho, repleto de possibilidades e descobertas. Enquanto é obrigado a escutar trocentas vezes por dia a infame Rock me Amadeus nos auto-falantes do parque, o rapaz forma novos laços de amizade, encara responsabilidades e dilemas bem diversos daqueles experimentados em sua vida anterior, e como não poderia deixar de ser, é premiado com a chegada do primeiro amor.
Mottola leva uma grande vantagem sobre Hughes: seus personagens e as situações por eles vividas não são tão pasteurizados, folhetinescos. Trazem consigo maior carga de sinceridade e guardam uma proximidade com o real com a qual o criador do Ferris Bueller sequer sonharia. O universo de Mottola é bem mais honesto. Em Superbad, um projeto pessoal/autobiográfico escrito por Seth Rogen, o ator-fetiche do Judd Apatow, já era possível divisar o talento do diretor, tanto na maneira como a história era conduzida como no desempenho extraído dos protagonistas. Um pequeno grande filme. Já Adventureland, escrito e dirigido por ele, é uma obra mais autoral. E o cara não faz feio, superando com folga as expectativas. Para que não reste nenhuma dúvida quanto ao seu talento como diretor de elenco, o cara consegue arrancar boas atuações até mesmo dos insuportáveis Kristen Stewart e Ryan Reynolds. Uma proeza e tanto! O protagonista Jesse Eisenberg, que este ano também emplacou o ótimo Zombieland, é um Michael Cera menos efeminado e um nome promissor na indústria.
Confira aqui o trailer de Adventureland, que pelo que ouvi falar, recebeu aqui no Brasil o inacreditável título de Férias Frustradas de Verão. Teriam os nobres responsáveis pela distribuição julgado uma estratégia inteligente associar o lançamento às infames comédias estreladas por Chevy Chase? Vai saber o que essa gente tem na cabeça!
O Rei Hughes está morto. Longa vida ao rei Mottola?
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Quem acha que o cinema sueco se resume às angústias existenciais de Ingmar Bergman ou aos Super-8 de putaria dos anos 70, é porque ainda não conhece Eli, a vampira-mirim de
inferno adolescente vivido por Oskar, 12 anos, vítima constante de bullying por parte dos colegas. Bom, com esse cabelinho de ABBA tinha mais era que tomar coça, mesmo. Entretanto, a sorte do garoto está para mudar com a chegada de uma nova vizinha, Eli. Ela também tem 12 anos. Há anos. Logo de cara, os dois estabelecem um forte laço de amizade, que irá transformar profundamente suas vidas.
Eli é vivida com supreendente maturidade 

A adaptação que fez para a tradicional canção country
Sinceramente, eu fiquei espantado que ele tenha algum fã, afinal, foi um fã que notou que ele sumiu.