Marillion – Sounds That Can’t be Made (2012)

Nem vou tentar um trocadilho com o título.

Nada de trocadilho com o título dessa vez…

O mais recente disco de estúdio do Marillion teria sido um excelente EP (para os padrões atuais) se contasse apenas com Gaza, Power e The Sky Above the Rain.

Sounds that Can’t be Made (realmente precisava daquele riff de teclado totalmente datado?), Pour My Love, Invisible Ink e Lucky Man são até boas canções, mas não estão à altura das três citadas acima e realmente só funcionam em alguns momentos ou nas suas metades finais. Em Montreal, a banda tem uma boa performance no geral, mas a música se arrasta durante muito tempo sem chegar a lugar nenhum.

Com apenas algumas passagens realmente memoráveis aqui e ali (alguns refrões, especialmente o de Power; ou os dois primeiros terços de The Sky Above the Rain e Gaza de uma maneira geral), faltou algo para ser a obra-prima anunciada em várias resenhas e comentários que li desde o lançamento do disco – ao menos pra mim, é claro.

(Leia a respeito aqui também.)

Música do dia – Brian May

Blog abandonado mais uma vez…

Então lá vai outro “Música do Dia”, hoje com Sir Brian Harold May e o clip de Too Much Love Will Kill You, um dos singles do seu disco solo Back to the Light, de 1992.

Porquê? Porque é uma belíssima música e também mostra que o Brian May, além de ser um dos melhores guitarristas do rock, é excelente compositor e – sim – vocalista também!

Música do Dia – Marillion

Em 1988, o Marillion se defrontou com a difícil tarefa de substituir o carismático vocalista e letrista Fish, que saiu do grupo (ou foi “saído”) após a tour que promoveu o disco Clutching at Straws. O escolhido foi o até então desconhecido Steve Hogarth, que logo provou ser mais do que habilitado para ocupar o posto de frontman da banda.
O disco Seasons End, lançado já em 1989, aproveitou canções que vinham sendo desenvolvidas antes da saída de Fish, bem como idéias musicais apresentadas pelo novato Hogarth, que foram finalizadas junto com o grupo.
Uma dessas idéias acabou virando um dos clássicos absolutos do Marillion: Easter. Valendo-se dos conceitos de renovação, renascimento e recomeço na letra que faz referência aos conflitos na Irlanda, ela fala sobretudo de um povo que mantém sua esperança em um futuro de paz.
Para emoldurar tudo isso, algumas das mais belas melodias do Marillion estão nessa canção, cujo ápice é um dos mais incríveis solos já compostos pelo guitarrista Steve Rothery.

Se quiser ler mais sobre a entrada de Steve Hogarth na banda e uma análise bem mais detalhada da letra e dos conceitos de Easter, acesse (em inglês) o excelente Marillion – Explanation of Song Elements.

Música do Dia – Heart

O som do Heart, no início de carreira, era uma mistura de hard rock e folk que agradou público e crítica e os levou ao sucesso no meio dos anos 70, com músicas como Barracuda e Crazy on You. Carinhosamente apelidado de Led Zeppelin de saias ou Lil’Zep, além da influência, o grupo também incluía no seu repertório – até hoje, aliás – vários covers do grupo britânico.
Mas isso foi antes das talentosas (e também belas) irmãs Ann e Nancy Wilson lutarem pela sobrevivência do grupo e, durante os anos 80, empreenderem a quase obrigatória jornada à Terra Encantada da Ombreira e do Spray de Cabelo, assim como muitas outras bandas do mesmo período.

Incorporando elementos de AOR, o estilo foi se diferenciando dos primeiros discos e o começo dessa nova fase não foi exatamente um sucesso. Em 1985, o grupo voltou com tudo no lançamento simplesmente batizado de HEART, que, feito “de encomenda” para os padrões da época, é o mais bem-sucedido de sua carreira, emplacando hits como, entre outros, These Dreams e What About Love?, baladas que mostravam que, se os cabelos não eram mais os mesmos, as vozes poderosas continuavam em forma e ainda capazes de impressionar o ouvinte mais desavisado.

Nos discos seguintes, o Heart continuou ocupando o topo das paradas. A esse sucesso seguiu-se o inevitável disco ao vivo (Rock the House) e a banda ainda teve fôlego para mais um disco de estúdio e um acústico (também ao vivo), antes de um espécie de recesso que só terminaria quase dez anos depois, com o lançamento de mais um registro ao vivo (Alive in  Seattle, também em DVD) e a retomada dos discos de estúdio com uma sonoridade mais próxima dos anos 70, nos bons Jupiter’s Darling (2004) e Red Velvet Car (2010).

Depois de tudo isso, a(s) música(s) do dia não podia(m) ser outra(s): dobradinha das irmãs Wilson, com os clipes oficiais de Alone e What About Love?.

Chutando bundas e entregando solos na primeira perna.

Dia desses, através de um link enviado por e-mail pelo colega Trezentos, cheguei num site sobre cinema e outras coisas. Clica aqui, clica ali, acabei lendo uma resenha para o novo filme da série Anjos da Noite.
Não que eu tenha intenções de assistí-lo – não no cinema, pelo menos – mas, sabe como é, Kate Beckinsale é um assunto que sempre merece toda atenção.
A resenha em questão foi bem escrita e tal, mas um pequeno detalhe me incomodou. Lá pelas tantas, o autor dizia que é “bastante agradável ver Kate Beckinsale em roupas de couro chutando bundas”. Ok, nisso eu concordo também, mas… “Chutando bundas”?

E é aí que eu faço o gancho para a ranhetice desse post.
Antes de tudo, esclareço que ela não se dirige especificamente ao autor, nem ao seu texto e nem ao site, mas sim à uma mania (ou seria até uma tendência) que parece estar contagiando alguns autores da internet, que é de traduzir literalmente algumas expressões idiomáticas da língua inglesa.

Então, temos agora gente “chutando bundas”, que é uma expressão que ninguém fala aqui no Brasil, ao invés de personagens “botando prá quebrar”, “quebrando” ou até, sei lá, “detonando tudo”, numa adaptação para um linguajar mais próximo do nosso.

Hummm... Ok, ok. Pensando bem, você pode.

Em algumas resenhas musicais, também tenho lido expressões como, por exemplo, “David Gilmour nos entrega um fantástico solo de guitarra”, ou “Neil Peart nos entrega uma performance incrível na bateria.”
Me parece óbvio que quem escreve isso se valeu da tradução da expressão “delivers a fantastic guitar solo”/”delivers a fantastic performance”.
A tradução literal até não está errada. Mas é por isso que só tradução não funciona. É preciso adaptar e dar sentido à coisa.
Pois então, como assim, “entrega”? Não dá para fazer um esforço e adaptar, até para deixar o texto mais bonitinho e sem essa cara de “tradução automática”?
Que tal “David Gilmour nos oferece/presenteia/brinda com um solo de guitarra fantástico”?

Ou você acha que vai fazer sentido se pegarmos uma das expressões usadas como exemplo e traduzir tal e qual para o inglês?
Veja pelo outro lado: será que alguém vai achar bacana – e entender – se algum brazuca resolver escrever “putting to break” ao invés de “kicking ass”?

Outro termo que vejo sendo usado vem de expressões como “first leg of the tour”, que vem sendo traduzido como – isto mesmo, pequeno gafanhoto – “primeira perna da turnê”. Primeira “perna’? Porquê não primeira parte?

Ok, como bem disse o colega Espantalho, para um neologismo valer, basta ser usado pela primeira vez, e eu não sou contra estrangeirismos e seus desdobramentos, mas ainda me parecem estranhas essas expressões traduzidas literalmente e que fazem bem mais sentido na sua língua original.

Veja bem: eu não disse que a tradução está errada. Eu só acho que o texto não fica “bonito”. Só isso.

Ou então, é só ranhetice minha mesmo e eu estou ficando realmente mais velho bem antes da hora.

Mas se, daqui a pouco, resolverem “abrasileirar” o “kiss my ass” que os americanos tanto usam, eu acho que, aqui no Brasil, não vai soar exatamente como a ofensa que é lá…

Quem ofende quem?

Que venham as pedras.

Música do dia (com “bonus track”!!!) – Dare

Depois desta seção apresentar algumas músicas mais conhecidas com o Dire Straits, The Who, Joe Cocker, Pink, Tears for Fears e Led Zeppelin, entre outros, fiquei tentando achar algum motivo espirituoso para colocar Beneath the Shining Water como a “música do dia”, mas não achei razão melhor do que simplesmente eu achar que é uma baita música, adequada para um final de tarde mais sossegado e que vai ser um bom descanso para a mente depois do post intenso com a interpretação de Stairway to Heaven, cortesia do colega Tcheloco.

O Dare é um grupo britânico que nos seus primeiros dois discos apostava num hard rock mais farofento, mas que a partir do terceiro álbum, foi incorporando mais e mais influências de música folk e doses generosas de AOR, modificando aos poucos o som da banda e resultando num som por muitas vezes bastante contemplativo, apesar das guitarras bem trabalhadas com solos e riffs marcantes. Os vocais suaves de Darren Wharton, a boa presença dos backing vocals e a ambientação dos teclados reforçam esse clima, principalmente nas músicas mais lentas como Beneath the Shining Water.

Para compensar minha ausência da seção, como bônus no “música do dia” de hoje, vai outra deles, do mesmo disco:

Música do dia – Mysterious Ways

Tempos depois dos americanizados Joshua Tree e Rattle and Hum, o U2 se bandeou para a Europa novamente e reapareceu com um disco que foi até incompreendido quando lançado. A sonoridade, os vídeos e a personagem que Bono Vox encarnou causaram certa estranheza, mas, usando um velho clichè, podemos dizer que Achtung Baby estava à frente do seu tempo e já pode ser considerado um clássico na discografia da banda.