Isso é Brasil, amigo

Dado Dolabella ganhou o tal ‘reality show’ da Record. Levou o prêmio de 1 milhão de Reais.

Vou repetir para ver se dá pra entender… Dado Dolabella ganhou o prêmio de 1 milhão de Reais. De quebra, saiu com cara de bom moço.

Isso é a ressonância magnética do que é o povo brasileiro, que definitivamente sempre consegue arrumar um jeito de renovar a frase: “O Brasil não é um País sério.”

O cara de esbofeteava a Luana Piovani, que agrediu gravemente uma camareira e que vivia aparecendo nas notícias(rá!) com coisas tão relevantes quanto a Paris Hilton… ganhou um prêmio de 1 milhão de Reais.

Isso é uma coisa tão absurda quanto declarar inocente um político corrupto que ajuda a todos da sua família, mamando nas tetas do governo.

Fiquei espantado quando esse programa da Record tinha como personalidade mais famosa uma subcelebridade como Dado Dolabella. Agora fiquei ainda mais espantado ao ver que esse mesmo foi o ganhador.

E não melhora no outro lado do controle remoto, com gente comendo ovo galado, naquela outra porcaria chamada No Limite.

Eu sei que é só desligar a tv, acredito que tv seja o eletrodoméstico menos usado em casa. Pelo menos como receptor de canais como Record, Globo e SBT. O que me deixa irritado é que tem muita gente burra que adora esse tipo de programa e esquece quem o “garoto bonzinho” realmente é.

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Espada de aluguel

O que o século 17 pode ter a dizer ao século 21? É essa a pergunta que faz ao leitor a série de romances de capa-e-espada protagonizada pelo espadachim Capitão Diego Alatriste y Tenório, criado em 1996 pelo escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte, que já tem seis livros lançados em sua terra natal, dois deles traduzidos para o Brasil: O Capitão Alatriste e Limpeza de Sangue, ambos pela Companhia ds Letras.

Arturo Pérez-Reverte é conhecido do leitor brasileiro apreciador de obras de fantasia por livros como A Carta Esférica ou O Clube Dumas (que foi adaptado para o cinema como O Último Portal, com Johnny Depp e um Frank Langella virando a mais ridícula tocha humana do universo). Na Espanha, as aventuras de Alatriste, que além dos seis episódios já publicador por lá  ainda deve ganhar outros três nos próximos anos, são uma espécie de fenômeno pop nacional: viraram história em quadrinhos (a imagem que ilustra este post saiu de uma delas, a adaptação “oficial” do primeiro livro, feita por Carlos Giménez e Joan Mundet), bonecos, jogos de tabuleiro, até mesmo, em 2002, uma série de estampas de selos do correio espanhol. E, recentemente, Alatriste foi adaptado em filme, dirigido por Agustín Díaz Yanes e estrelado pelo “Aragorn” Viggo Mortensen, interpretando em espanhol – o cara realmente fala o idioma, viveu na Argentina e é torcedor do San Lorenzo de Almagro.

Tecnicamente, o que de cara já surpreende pelo anacronismo, Alatriste filia-se ao chamado gênero de literatura capa-e-espada (muito popular no século 19), aquele que reúne espadachins heróicos e galantes, amores tumultuosos, aventuras tortuosas e conspirações (os espanhóis tiveram todo um ramo literário de romances capa-e-espada, mas está certo tambem quem, com as características ali descritas, lembrar de Os três mosqueteiros, do francês Alexandre Dumas, uma dos mais acabados exemplos do gênero).

O Alatriste de Pérez-Reverte é um ex-militar e hoje mercenário que vive uma vida instável, sem recursos na Espanha dos anos 1600 — o esplendoroso período conhecido por Século de Ouro, período de uma sociedade rica, de alto desenvolvimento artístico, mas onde campeia uma decadência subterrânea que ainda levará à queda o poderoso império espanhol. Voltando a Alatriste: pobre, porém altivo, ele serviu nas guerras espanholas contra os holandeses em Flandrers, onde provou sua bravura e sua habilidade com a espada, mas um homem como ele, impetuoso, pouco político e de grande coragem física, é um incauto nas batalhas políticas tão ou mais cruentas que tomam lugar na corte, e o outrora valente capitão é hoje um mercenário como tantos outros, com a algibeira sempre vazia e alugando sua destra espada a quem melhor pagar. Por vezes, vale-se da caridade da mulher que o ama, uma prostituta chamada muito apropriadamente Caridad, La Lebrijana.

Os dois volumes já lançados no Brasil, O Capitão Alatriste e Limpeza de Sangue, têm estrutura semelhante. A história é sempre narrada do ponto de vista do jovem pajem de Alatriste, Iñigo Balboa, órfão, filho de um ex-companheiro de armas de Alatriste e que foi entregue ao herói para ser criado por ele em nome da amizade que unia os dois homens. O enredo também segue uma seqüência similar de episódios: nos dois, atendendo ao pedido de um amigo, Alatriste aceita um trabalho que se revela mais do que aparenta.

No primeiro volume, contratado por homens misteriosos para assassinar dois desconhecidos, Alatriste não realiza o serviço que lhe foi encomendado, topa com uma intriga internacional e se enreda nos gabinetes da monarquia, contrariando a poderosa Igreja Católica. No segundo volume, um pedido para que Alatriste invada uma casa e recupere uma jovem raptada revela-se uma cilada que leva o herói aos porões da Inquisição.

O inusitado em Alatriste é que suas aventuras, escritas para lembrar os clássicos capa-e-espada espanhóis como Tirso de Molina e Manuel Fernández González, entremeiam duelos e traições com digressões anacrônicas sobre a Inquisição, a religiosidade, o poder, a política e a honra, algumas que poderiam ser aplicadas como comentários da nossa própria realidade contemporânea.

Um tributo moderno à história do passado.

Estamos todos de acordo?

Apesar de o vulgo nos considerar a nós, nerds, como sujeitos no limite da debilidade mental, o fato é que a maioria de nós é composta por sujeitos alfabetizados, letrados, com interesses que vão de cinema a literatura e que, portanto, têm contato com a cultura formal em níveis mais profundos que o resto da patuléia.

E é por isso que, a partir do ano que vem, quando entra o  vigor o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado e válido em todos os países que tem o Português como língua oficial, essa faixa pequena porém valorosa da espécie humana, os nerds que falam português, vai ter de se acostumar a mudar hábitos de convivência com o idioma que vêm desde nossos tenros anos de formação.

“O quê? ” – algum espírito-de-porco pode objetar: “Essa turma que assiste filme sem legenda, ouve rock em inglês direto e está mais interessada em Philip K. Dick e em Cormac McCarthy no original do que em Machado de Assis? Como esse desvio aberrante da espécie humana pode ser assim tão afetado por esse acordo?” Simples, e a explicação fica no primeiro parágrafo deste texto, se não entendeu ainda pode voltar ali em cima e ler.

Pois bem, para os que não precisaram fazer esse retorno e seguem comigo, a notícia é a seguinte: os últimos dois governos prometeram sempre nivelar os índices de alfabetização do Brasil, e finalmente conseguiram com esse acordo: transformando com esse maravilhoso projeto de reforma todo mundo que já sabia escrever em semianalfabeto (assim mesmo pelo novo acordo). A partir do início do ano, mas ainda com algum tempo para que a adoção seja obrigatória, o acordo entra em vigor produzindo três principais e drásticas mudanças:

* Eliminação quase completa do trema (menos em sobrenomes ou palavras estrangeiras e seus derivados, então imagino que Gisele Bündchen ou Führer continuarão usando o sinal),

* Alteração considerável nas regras de acentuação para ditongos abertos ei e oi em paroxítonas e para hiatos com vogais (já explico melhor) .

* adoção de formas bastante criativas de hifenização ou não.

Já de cara, os apreciadores da cultura clássica (como o escriba aqui) sofreram um duro golpe: devido à segunda mudança elencada acima, a da perda do acento em ditongos abertos paroxítonas ei e oi, cai o acento em Odisseia (já vou registrar os vocábulos na nova grafia para vocês sentirem o drama), Troia, Pompeia, Eneias – tanto o candidato maluco quanto o herói da Eneida. Ah, quanto a essa palavrinha “herói” citada antes: as oxítonas abertas mantêm os acentos que sempre tiveram, e portanto herói continua com acento, mas heroico, palavra derivada, não. É algo que não me entra na ideia – que também não terá mais acento, a propósito.

Num debate por ocasião do primeiro Batman, nosso amigo Semprealerta comentou que havia ficado particularmente desagradado com as sequências (agora sem trema) do Morcego planando por Gotham City. Pois bem: a partir do próximo ano, ele terá de sustentar sua objeção dizendo que o Batman é um sujeito comum, sem poder de voo. Sim, também pelo segundo item ali de cima, voo perdeu o circunflexo, bem como outras formas semelhantes de hiato, como enjoo, abençoo, perdoo, preveem e o mais engraçado, de uma hora para outra, a primeira pessoa do singular no indicativo para o verbo magoar virou um personagem de desenho animado. Agora é magoo.

No caso do trema, o que acontece é que as marcações de pronúncia do U que vem depois de G e de Q sumiram, e portanto a partir de hoje Homem-Aranha, Demolidor e Batman, por exemplo, passam a enfrentar delinquentes pelas ruas de suas cidades. Quem estiver duvidando, que vá ao texto oficial do acordo, aqui e averigue, mas sem trema, porque nesse caso também caiu.

O grande nó está na hifenização, que parece ter sido preparada pelo Sacanás em pessoa. Toda palavra composta em que o segundo termo tem H leva hífen, e portanto Super-Homem e super-herói continuam como eram.  Mas quando a primeira palavra termina com a mesma vogal que inicia a segunda palavra do composto, o hífen também passa a ser obrigatório, e, portanto, aquela grande invenção para nerds que se alimentam mal, o micro-ondas, agora se grafa assim.

Alguns poderiam dizer que essa regra evitaria choque de letras iguais em uma palavra composta, mas o fato é que quando não separou o que estava junto, o acordo juntou o que estava separado – e ainda dobrou letras. Quando prefixos terminados em vogal encontram palavras começadas em R ou S, cai o trema, junta-se as duas e dobra-se o r ou o s. Assim, nosso amigo Tcheloco às vezes tem alguns rompantes antirreligiosos. Assim mesmo.

O mais engraçado é que o acordo não unifica nada, no fim das contas. As grandes diferenças de pronúncias e acentuação entre Portugal e Brasil (aqui se diz bebê e lá bebé, lá usam Amazónia, aqui Amazônia, lá é gémeo, aqui é gêmeo) continuam, porque não há como alterar o que é resultado de pronúncia diferente, e portanto o acordo estabelece formas duplas de ortografia, uma tão válida quanto a outra – dezenas delas.

Bem vindo ao Admirável Português Novo, meu companheiro neoanalfabeto (assim, sem hífen e tudo junto).

A vida imita a ficção?

Barack Obama

Barack Obama

Fox e CNN divulgaram faz pouco projeções que apontam para a vitória de Barack Obama, o primeiro negro eleito para a presidência dos Estados Unidos.

 

 

Em tempo: deve querer dizer alguma coisa sobre o estado geral da cultura (ou o estado da Cultura geral) quando, na wikipedia em português, o verbete sobre David Palmer é consideravelmente maior que o de David Copperfield.

Efemérides e Exageros

Neste link vocês encontram um artigo do Omelete sobre os 70 anos da DC Comics. Se quiserem, pintem lá. Deve ser interessante.

Como assim “deve”? É que eu não consegui passar do primeiro parágrafo depois de esbarrar na frase destacada no trecho abaixo:

Quando um garoto percebe que está tudo errado com o mundo e se propõe a fazer algo para torná-lo melhor, sente-se rejeitado por uma garota e, sozinho no universo, várias decisões podem ser tomadas. No caso dos jovens Jerry Siegel e Joe Shuster, de Cleveland, Ohio, a decisão deles mudou o mundo para sempre. O que eles fizeram? Criaram o personagem mais significativo, reconhecido e relevante de todos os tempos, dando início a um gênero, uma Era, uma indústria, algo maior em que acreditar, uma força que ressoa até hoje e não pode ser detida.

Vou repetir para quem acha que teve uma alucinação. A frase é: Criaram o personagem mais significativo, reconhecido e relevante de todos os tempos.

Ou seja, de uma só tacada, o cidadão autor do texto aí de cima jogou pra escanteio Fedra, Medéia, Romeu e Julieta, Hamlet, Falstaff, Macbeth, Ulisses, Enéias, El CidDom QuixoteScaramouche, Cyrano de Bergerac, Julien Sorel, Robinson Crusoe, Lucién de Rubempré, Raskolnikov, Ivan Karamázov, Anna Karénina, Andrei Bolkonski, Pierre Bezukhov, Doutor Fausto e até Sherlock Holmes, Sam Spade e Phillip Marlowe – além de milhares de outros.

E em favor de um sujeito que usa a cueca por cima do pijama.

Vivo dizendo: é realmente difícil defender os leitores de quadrinhos.

Filmes que deveriam ser feitos

Imaginem a cena: ano de 1904, em volta da praça central da cidade caucasiana de Tiflis (que hoje se chama Tibilissi). Embora seja a capital do vice-reinado do Cáucaso, o município é de tamanho médio, misturando mercados árabes e caravançás dignos do Oriente Médio com prédios de arquitetura neo-clássica de inspiração italiana. Na praça, duas garotas coquetes, morenas esguias em vestidos elegantes, flertam com um grupo de cossacos e oficiais defronte o quartel-general militar. Aparentemente alheio ao episódio, um oficial de cavalaria faz sua montaria trotar em volta da praça, sabre pendurado ao cinto. Se fosse olhado com mais atenção, seriam perceptíveis no lado esquerdo de sua face feias cicatrizes de queimadura e um olho cego que volta e meia gira em uma órbita não-natural. Nas esquinas do perímetro, guardas armados estão estrategicamente posicionados. Dobrando uma esquina, uma taberna de má reputação está cheia, mas ainda assim o proprietário não recusa entrada a ninguém. O que ele recusa é a saída. Quem entra é convencido sob coerção velada mas firme a ficar por ali e só sair quando o dono do lugar der o seu consentimento.

Quando uma nuvem de pó se avizinha no horizonte, uma das garotas acena para um homem na esquina de um jardim, que por sua vez acena para a taberna. A maioria dos sujeitos mal encarados presentes levanta-se deixando sua bebida pela metade e sai, portando carabinas e pistolas, Posicionam-se atrás da esquina, prontos para derrubar qualquer cossaco ou oficial que deixe o quatel. A nuvem de pó se torna uma diligência escoltada por seis cossacos, que avança pela frente do quartel, dá a volta na praça e se aproxima de um banco, sempre discretamente seguida pelo já mencionado oficial de cavalaria, um cúmplice disfarcado. Sem aviso, os sujeitos mal encarados na praça sacam um bom número de granadas de mão redondas, chamadas de “maçãs”, e que havia sido contrabandeadas para a cidade dias antes pelas mesmas garotas do início deste texto, dentro de grande um sofá.  O grupo atira as granadas no caminho do comboio, estripando os cavalos e matando ou derrubando seus cavaleiros, tanto os da diligência quanto os da escolta. Um rápido tiroteio e os homens estão prestes a tomar posse da diligência e dos sacos de dinheiro que estavam lá dentro. Mas um dos cavalos feridos subitamente desperta, levanta e, em pânico, ainda atrelado à diligência, sai em disparada, levando o dinheiro que seria o objetivo de toda aquela ação. Mantendo a cabeça fria, um dos ladrões corta o caminho do cavalo e atira uma nova granada. Desta vez o cavalo explode, e termina numa poça de sangue, sem as patas, mas a explosão também derruba o sujeito que lançou os explosivos. Outros dos ladrões corre até a diligência e finalmente se apossa do dinheiro, mas o bando está disperso pela reação da polícia e a fumaceira das granadas impede contato visual com outros do grupo. Quando a poeira baixou, o homem viu que estava sozinho, encurralado em um canto da praça, e longe de seus companheiros enquanto os cossacos e oficiais já avançavam em sua direção.

Nesse momento, o falso oficial de cavalaria irrompe, agora com as rédeas de um pequeno coche em uma das mãos e uma pistola na outra. Na base do grito, reorganiza o bando, sustenta o tiroteio deixando a praça momentaneamente livre, e alcança o companheiro com os sacos de grana, que são jogados no “faeton”. Com a carga, faz uma curva audaciosa e começa a fuga pela avenida principal, quando vê o subchefe de polícia vindo em sua direção. O falso oficial grita que o dinheiro está seguro e diz para o chefe perseguir os bandidos na praça, e o polícia otário passa pelo dinheiro e o deixa ir, acreditando na palavra do falso oficial e permitindo que o coche partisse com uma quantia estimada equivalente a 3,4 milhões de dólares em moeda de hoje.

O assalto foi tão violento e fantástico para os padrões da época que repercutiu na imprensa internacional, com artigos em jornais da distante Inglaterra. O oficial de cavalaria, um sujeito violento, psicótico, que trazia no rosto queimado as marcas de uma bomba que ele próprio estava montando e que explodiu em sua cara, era chamado de Kamó, e era o lugar-tenente do grande planejador por trás do roubo, um georgiano de nome Iossif Djugachvili. Que todo mundo mais tarde conheceria pelo último de seus muitos pseudônimos: Stálin.

Ficha do jovem Stálin na Okhrana, datada de 1908, quatro anos após o grande roubo

Ficha do jovem Stálin na Okhrana, datada de 1908, quatro anos após o grande roubo

 

Essa história, que de fato aconteceu, está no recentemente lançado livro O Jovem Stálin, do historiador Simon Sebag Montefiore, que recupera os dias de infância e juventude do ditador russo, sua passagem pelo seminário ainda na sua cidade natal, suas primeiras ações como revolucionário e sua ascensão como o homem de ação dos comunistas caucasianos, organizando assaltos e roubos cada vez mais ousados para arranjar dinheiro para a revolução. Vendido por sua propaganda oficial como líder, nessa época, de uma ativa célula revolucionária, Stálin e seu bando, por origem, relações e modus operandi, mais se assemelhavam a um bando de gângsters. 

Stálin foi personagem ele próprio de dois ambiciosos filmes nas últimas duas décadas: Taurus (2001), no qual Alexandr Sokurov retratava os últimos dias de Lênin à beira da morte em sua dacha, e O Círculo do Poder (1991), de Andrey Konchalowski, sobre um sujeito que, como projecionista particular do ditador, testemunhava o isolamento paranóico ao qual o tirano se recolhia. São duas poderosas produções sobre a natureza do poder e sua própria volatilidade. Mas confesso que depois de ler o livro fiquei bastante curioso em especular como seria um filme que retratasse esse assalto cometido pelo bando do jovem Stálin ao estilo do popular gênero conhecido como “filme de roubo”. Seria melhor ainda, um cruzamento de gêneros, ao estilo dos que Hollywood tanto preza: um “filme histórico de roubo”.

Afinal, se já tivemos The Italian Job, então por que não The Georgian Job?

Tudo bem, foi só uma idéia.

Sabedoria fílmica

Essa o Espantalho vai adorar…

Estava zapeando a esmo na internet e topei com a existência de um livro escrito pelo crítico e apresentador de TV norte-americano Richard Crouse: Os 100 melhores filmes que você nunca viu, uma coletânea de críticas e resenhas e entrevistas sobre os 100 filmes considerados “cult” pelo autor do livro, coisas tão díspares quanto Casamento à Indiana, de Mira Nair, e filmes gore desconhecidos americanos (e com isso não estou me referindo ao Uma Verdade Inconveniente, o último grande filme GORE).

O interessante é que na página 71 o crítico enumera suas 10 citações de filmes preferidas. E lá, em primeiro lugar, está o recém-citado Dr. Phibes:

Amar significa nunca ter de dizer que você é feio…
Dr. Anton Phibes (Vincent Price), em O Abominável Dr. Phibes (1971)

E pra quem ficou curioso, seguem as primeiras cinco (não sei se levo fé em alguém que cita um filme do Adam Sandler, mas vamos nessa):

2 – Querida, há uma aranha do tamanho de um Buick no seu banheiro.
Alvy Singer (Woody Allen), em Annie Hall (1977)

3 – Normalmente a esta hora vocês dois estariam tão mortos quanto a porra de uma galinha frita, mas desde que entrei em um período de transição, eu não quero matar nenhum de vocês cuzões.
Jules (Samuel L. Jackson, em Pulp Fiction (1994)

4 – A aparência medonha daquele pé vai assombrar meus sonhos para sempre!
Emílio (John Turturro), em A herança de Mr. Deeds (2002)

5 – Este é o meu evento e isto me preocupa
Ronnie “Z-Man” Barzell (John Lazar) em De volta ao Vale das Bonecas (1970)