Chutando bundas e entregando solos na primeira perna.

Dia desses, através de um link enviado por e-mail pelo colega Trezentos, cheguei num site sobre cinema e outras coisas. Clica aqui, clica ali, acabei lendo uma resenha para o novo filme da série Anjos da Noite.
Não que eu tenha intenções de assistí-lo – não no cinema, pelo menos – mas, sabe como é, Kate Beckinsale é um assunto que sempre merece toda atenção.
A resenha em questão foi bem escrita e tal, mas um pequeno detalhe me incomodou. Lá pelas tantas, o autor dizia que é “bastante agradável ver Kate Beckinsale em roupas de couro chutando bundas”. Ok, nisso eu concordo também, mas… “Chutando bundas”?

E é aí que eu faço o gancho para a ranhetice desse post.
Antes de tudo, esclareço que ela não se dirige especificamente ao autor, nem ao seu texto e nem ao site, mas sim à uma mania (ou seria até uma tendência) que parece estar contagiando alguns autores da internet, que é de traduzir literalmente algumas expressões idiomáticas da língua inglesa.

Então, temos agora gente “chutando bundas”, que é uma expressão que ninguém fala aqui no Brasil, ao invés de personagens “botando prá quebrar”, “quebrando” ou até, sei lá, “detonando tudo”, numa adaptação para um linguajar mais próximo do nosso.

Hummm... Ok, ok. Pensando bem, você pode.

Em algumas resenhas musicais, também tenho lido expressões como, por exemplo, “David Gilmour nos entrega um fantástico solo de guitarra”, ou “Neil Peart nos entrega uma performance incrível na bateria.”
Me parece óbvio que quem escreve isso se valeu da tradução da expressão “delivers a fantastic guitar solo”/”delivers a fantastic performance”.
A tradução literal até não está errada. Mas é por isso que só tradução não funciona. É preciso adaptar e dar sentido à coisa.
Pois então, como assim, “entrega”? Não dá para fazer um esforço e adaptar, até para deixar o texto mais bonitinho e sem essa cara de “tradução automática”?
Que tal “David Gilmour nos oferece/presenteia/brinda com um solo de guitarra fantástico”?

Ou você acha que vai fazer sentido se pegarmos uma das expressões usadas como exemplo e traduzir tal e qual para o inglês?
Veja pelo outro lado: será que alguém vai achar bacana – e entender – se algum brazuca resolver escrever “putting to break” ao invés de “kicking ass”?

Outro termo que vejo sendo usado vem de expressões como “first leg of the tour”, que vem sendo traduzido como – isto mesmo, pequeno gafanhoto – “primeira perna da turnê”. Primeira “perna’? Porquê não primeira parte?

Ok, como bem disse o colega Espantalho, para um neologismo valer, basta ser usado pela primeira vez, e eu não sou contra estrangeirismos e seus desdobramentos, mas ainda me parecem estranhas essas expressões traduzidas literalmente e que fazem bem mais sentido na sua língua original.

Veja bem: eu não disse que a tradução está errada. Eu só acho que o texto não fica “bonito”. Só isso.

Ou então, é só ranhetice minha mesmo e eu estou ficando realmente mais velho bem antes da hora.

Mas se, daqui a pouco, resolverem “abrasileirar” o “kiss my ass” que os americanos tanto usam, eu acho que, aqui no Brasil, não vai soar exatamente como a ofensa que é lá…

Quem ofende quem?

Que venham as pedras.

Os horrores da guerra

By Juarez Silva

De olhos bem abertos

John Malkovich, o Ney Latorraca deles.

No início dos anos de 1990, quando Stanley Kubrick estava envolvido com a pré-produção de De Olhos Bem Fechados, um camarada saiu pela noite de Londres fingindo ser o famoso diretor novaiorquino, apesar de não conhecer quase nada de sua obra e de não se parecer nem um pouco com ele. Alan Conway (nomes que condicionam destinos? O Scliar ia curtir essa) era um tremendo 171, que engrupiu até mesmo gente do mundinho VIP inglês, convencendo a todos de que era o diretor de 2001, ainda que não tivesse barba e usasse uns acessórios assim, meio Laerte.

Totalmente Kubrick (Color me Kubrick, 2007) conta a história de Conway, e só pela premissa já despertaria curiosidade. Mas a situação esdrúxula é bem explorada pelo roteiro, que tem o indiscutível mérito de fugir do falso moralismo, tão em voga no cinemão atual. Fosse um filme americano e o personagem fatalmente se arrependeria e buscaria a redenção no fim. Além de um script  inteligente e ousado, Totalmente Kubrick tem o privilégio de poder contar com um protagonista diferenciado, John Malkovich. De acordo com o diretor Brian Cook, “o papel de Conway deveria ser entregue a alguém cujo nome fosse amplamente conhecido, mas a aparência não, assim como Kubrick.” Definitivamente um sujeito de outra divisão, Malkovich deita e rola na pele do desavergonhado. E assim como em Quero Ser John Malkovich, novamente se permite fazer piadas consigo mesmo, conforme é possível conferir a 0:47, no trailer.

O bom, o mau e o vesgo.

Conway era um sujeito fidelíssimo à Lei de Gérson, procurando levar vantagem em tudo (certo?); tal conduta estava tão fortemente arraigada em sua mentalidade que ele era incapaz de compreender como era possível que os outros também não agissem dessa forma. Era um predador sem a menor consideração pelos sentimentos alheios: com a conversa de que era Kubrick conseguia levar garotos para a cama (sim, ele era), ganhava presentes caros (até uma caneta Mont Blanc) e chegou até a fechar acordos comerciais com empresários da noite londrina. As vítimas, como é comum em casos de estelionato, ficavam envergonhadas a ponto de não desejarem  prestar queixa contra o pelintra, que assim ficava com o caminho livre para seguir aplicando das suas. Continue lendo

Motorista atropela ciclistas em Porto Alegre

Como é que se pode explicar uma coisa dessas?

Já estive na condição de motorista que se vê preso no trânsito. Acho que não há motorista que não tenha se visto nesta situação. Por mais chato que seja, por mais atrasado que esteja, por mais angustiante que possa ser um engarrafamento, passeata ou o a comemoração do seu time adversário, o que justifica esse ato?

Num assalto fico pensando que a vida deste custou vinte e cinco reais. Noutro um relógio e um tênis. Noutro custou um carro que foi recuperado na outra esquina – como foi o caso do empresário assassinado na frente do Shopping Total – e por aí vai. A vida humana tem preços diferentes dependendo da hora e da situação. É mais instável que a bolsa de valores e muito menos importante.

Não consigo compreender como se pensa desta maneira. “Vou abrir caminho, azar desses ciclistas. Que saco, morram e desapareçam da minha frente”. Será que foi isso que ele pensou? Realmente é difícil imaginar o que essa pessoa estava pensando na hora em que fez isso.

O que essa pessoa irá alegar? Estava atrasado para o dentista? Precisava pegar o filho na creche? Insanidade temporária? Influência de medicamentos? Falha mecânica?

Tudo bem, os ciclistas estavam fazendo um manifesto. Queriam conscientizar a população pelo uso de bicicletas como alternativa. Estavam em horário de pique… mas o que o sujeito fez, tem justificativa?

Resta agora ficar esperando para ver o que as autoridades farão e esperar que a punição para o crime seja condizente com o ato.

Quer ver as imagens? Clica no link >>>. Continue lendo

Onde é que tá?

 

O jogo eu não sei se é bom, mas o nome da companhia que desenvolveu é magnífico:

 

O mistério do filme o Garoto da Bolha de Plástico

Na verdade não é mistério. É uma coisa que eu lembrava de ter visto mas nunca antes na história deste País, pude comprovar porque não tinha youtube. Mas agora, meus problemas acabaram. Eu não estava doido não. Existe sim um fantasma na última cena do filme.

Repare bem. É logo depois que o John Travolta beija Glynnis O´Connor. Um mané com uma fantasia de fantasma aparece circulando no fundo da cena.

Teria sido proposital? Teria sido um erro? Seria um vizinho querendo sacanear a cena? Alguém que não recebeu o devido e resolveu se vingar? Um outro filme sendo gravado láááá no fundo. Não importa. Tanto faz.



Um comercial, várias interpretações

Não é sempre que se vê um comercial desses.

Olha… eu não sei o quanto está aprimorado o seu senso de sacanagem, mas o meu me fez rir muito desse comercial. É involuntário. São muitas interpretações possíveis.

Veja você também o grande ator global Reynaldo Gianecchini no comercial do Pintos Shopping.

Preste atenção no slogan do dito ponto comercial.