19 – Nausicaä do Vale do Vento

MV5BMTM1NjIxNTY4OF5BMl5BanBnXkFtZTcwNDE5MDIyNw@@._V1_SX148_CR0,0,148,200_Em 2013 os grandes estúdios produziram ao menos uma dezena de animações. Juntos, esses desenhos arrecadaram cerca de U$ 1,7 bilhões, somente no mercado doméstico norte-americano. Contudo, se expandirmos a projeção de faturamento para o mercado global, apenas um desses títulos, Frozen, arrecadou sozinho mais de um bilhão de dólares. O mercado vai bem, e não dá mostras de enfraquecimento. A boca é tão boa que a produção extrapolou os muros dos tradicionais produtores, como a Disney: hoje todos estúdios possuem uma divisão de animação, ou distribuem trabalhos oriundos de companhias independentes. Até a sisuda Weinstein Company resolveu entrar no jogo em 2013, com Escape From the Planet Earth.

Há 30 anos o quadro era bem diferente. Era desolador. Em 1984, os estúdios Disney ainda estavam sob controle do grupo conhecido como Os Nove Velhinhos, animadores  remanescentes dos anos de ouro, que desde a morte do patrão Walt em 1966, vinham produzindo bomba atrás de bomba. Uma nova geração de animadores, insatisfeita com os rumos da companhia, resolveu debandar, e sob a liderança de Don Bluth, começou a produzir por conta própria. Mas os resultados também não eram grande coisa. Assim como as tentativas do israelense Ralph Bakshi, que muito  prometiam mas pouco entregavam. Até o renascimento da Disney com A Pequena Sereia (1989) e a revolução digital da Pixar com Toy Story (1995), o cinema de animação em longa metragem seguiria em estado vegetativo. Isso nos Estados Unidos. Porque do outro lado do mundo o quadro era bem diferente.mia

É sabido que animação é assunto sério para os japoneses. Mas para um sujeito chamado Hayao Miyazaki, a coisa se reveste de uma gravidade tal que se eleva à categoria de arte. E não há artista como Miyazaki. Nos últimos 30 anos, à frente do Estúdio Ghibli, esse senhor de 73 anos desfilou uma invejável obra, composta por obras primas como Meu Amigo Totoro, Porco Rosso, Princesa Mononoke, A Viagem de Chihiro e tantas outras. A iniciativa de fundar o estúdio foi tomada em 1984, após o sucesso do segundo longa de Miyazaki, Nausicaä do Vale do Vento.

Em uma paisagem pós-apocalíptica, o que sobrou da humanidade está dividido em pequenos grupos, isolados uns dos outros pelo Mar da Corrupção, uma floresta tóxica povoada com insetos gigantescos. Nausicaä, princesa do reino do Vale do Vento, procura compreender a essência dessas florestas, enquanto se vê às voltas com agressões dos reinos vizinhos.

O longa é um cartão de visitas da obra de Miyazaki. Muito do que se vê ali estará presente no resto de sua filmografia: protagonista feminina, a obsessão com objetos voadores e vilões – melhor dizendo, antagonistas – ambíguos, representados de maneira diferente da tradicional. E é claro, o apuro técnico: feitas sempre do jeito tradicional, à mão, as animações apresentam um requinte digno dos melhores títulos da Disney nos anos 30/40. A paleta de cores, a “iluminação”, ângulos, movimentos, tudo é de um bom gosto ímpar. São, indubitavelmente, obras de arte. Infelizmente, o mestre anunciou sua aposentadoria ano passado, após a realização de Vidas ao Vento.

totoro

Dica: a Ghibli não se resume à Miyazaki. Ao longo desses 30 anos, outros grandes diretores também produziram excelente animações. The Grave of the Fireflies (1988), de Isao Takahata, mostra os esforços de dois irmãos para sobreviver em meio a um Japão devastado pela Segunda Guerra. Faz chorar até coração de pedra.

Para saber mais sobre os estúdios Ghibli e sua história, visite o site oficial dos caras, em português.

Curiosidades:

Na Odisseia, Nausicaä é filha de Ancínoo, rei dos feácios. É ela que ajuda o náufrago Ulisses, após o rei de Ítaca deixar a ilha de Calipso.

Ghibli significa “O quente vento do deserto do Saara”.

Trailer de Nausicaä do Vale do Vento

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