23 – Conan, o Destruidor

Conan_the_destroyerEm 1984 o cinema Real reexibiu Conan, o Bárbaro, que havia sido lançado dois anos antes. Eram tempos  de inflação galopante e arrocho: a grana tava curta, eu, o Tcheloco e um outro amigo tínhamos o dinheiro para o ingresso, mas não para as passagens de ônibus. Porém, não podíamos perder a oportunidade: em 82, quando o filme passou pela primeira vez, éramos guris com cerca de dez anos, estávamos mais para E.T. do que para Era Hiboriana. Foi com o lançamento da Espada Selvagem de Conan e a descoberta dos álbuns do Frank Frazetta, em 84, que tudo mudou, e uma espécie de barbaromania tomou conta da gurizada. Valia tudo para poder ver Schwarzenegger cortando cabeças. Lá fomos nós, caminhando do centro de Porto Alegre até o cinema, que ficava na Assis Brasil, em frente à Igreja Cristo Redentor.

O primeiro Conan foi tudo, e até mais do que eu esperava. A única nota decepcionante foi a qualidade da cópia exibida: em péssimo estado, com inúmeras falhas e cortes, reduziu a duração do filme em mais de meia hora. Quando saíamos da sessão, lembro que um gaiato perguntou ao porteiro quando exibiriam a outra metade. Apesar desse percalço, ainda assim ficamos entusiasmados e empolgados com a iminente da estreia da continuação, Conan, o Destruidor.

O que a gente não sabia é que a verdadeira paixão do produtor Dino de Laurentiis, mais do que os filmes, era a bufunfa. Visando uma arrecadação maior – Conan, o Bárbaro havia faturado perto de 100 milhões de dólares no mundo todo – tratou de diminuir a violência e aumentar o humor da sequência, a fim de baixar a classificação para PG e liberar a entrada de moleques de 13 anos desacompanhados dos pais. O resultado, como não poderia deixar de ser, foi uma bela de uma bosta.dvd-conan-o-destruidor-original-novo-7390-MLB5201056961_102013-O

Em comum com o filme anterior, Schwarzenegger, a bela trilha sonora de Basil Poledouris e o nome do personagem no título. De resto, não difere daquelas buchas italianas estilo sword and sandals dos anos 50/60. O roteiro mostra Conan cumprindo tarefas a lá Hércules, a fim de agradar uma rainha feiticeira, que como recompensa promete ressuscitar Valéria, sua amada, que morreu no filme anterior. O negócio de Conan era mesmo a espada, pois ele parece ter se esquecido que CREMOU o corpo de Valéria, o que dificultaria um bocado o processo da ressurreição.

Filmes de herói definitivamente não eram o forte dessa época. Em 84 também cometeriam uma Supergirl, com a promessa Helen Slater (irmã do Christian, alguém lembra?) no papel-título. Esse conseguiu ser pior que o Superman 3. E o 4. O produtor italiano ainda defecaria Guerreiros de Fogo um ano depois, com a Brigitte Nielsen como Sonja, a Guerreira. Fogo é o que o De Laurentiis merecia.

Conan The Destroyer vs Man Ape - Lizard WizardCuriosidade: a certa altura, Conan enfrenta uma personificação do rei mago Toth Amon, um homem-macaco. A maquiagem do símio e a luta são risíveis. Sorte de Pat images-2Roach, o ator por trás da máscara, que não precisou mostrar sua cara e passar vergonha. Pat, um wrestler inglês, campeão europeu, consagrou-se com o nome de “Bomber” Roach. Você vai lembrar do cara como o nazi careca que enche o Indiana Jones de porrada em Caçadores de Arca Perdida, mas acaba fatiado pela hélice de um avião.

Aqui o trailer.

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