27 – Duna

220px-DuneposterOs anos 80 foram o território do modo George Lucas Steven Spielberg de se fazer cinema. A palavra de ordem era diversão: escapismo infanto-juvenil, leve e ligeiro, no melhor estilo matiné de domingo. A dupla atuava mais na produção executiva, deixando a direção nas mãos competentes de sujeitos como Robert Zemeckis, Ron Howard, Joe Dante e John Landis. A ficção científica foi um gênero bastante afetado por essa maneira de se fazer filmes: não havia lugar para as visões mais pessimistas que haviam dominado a década anterior.

Em 1984, qualquer ficção científica que ousasse uma abordagem mais sisuda estava destinada ao fracasso. Foi o que aconteceu com 2010 – O Ano em que faremos Contato, de Peter Hyams, a continuação do clássico 2001 de Kubrick (para ser justo, esse teria fracassado em qualquer época); a terceira incursão da tripulação de Enterprise pela grande tela também não foi grande coisa: após o razoável A Ira de Khan, Kirk & Cia voltaram com um sombrio e sonolento À Procura de Spock. Mas nenhum fracasso retumbou tanto quanto Duna.

Em que pese o fato de remar contra o “espírito da época”, havia ainda motivos para que Duna fosse um sucesso: a base era um romance premiado, cultuado por uma legião de fãs; o diretor, o jovem David Lynch, era um talento promissor, com pelo menos um título já clássico em seu currículo, o Homem Elefante; ao que consta, dinheiro também não era problema: o produtor Dino de Laurentis teria levantado 60 milhões de dólares para a produção, o que era muita bufunfa naquela época. Toda a equipe técnica era do primeiro escalão; os ingredientes do sucesso estavam todos reunidos.

Nada – ou quase nada – funciona no filme de Lynch, contudo: Duna é uma longa e arrastada baboseira, com roteiro truncado, por vezes confuso. Os efeitos visuais, que até chamaram a atenção na época, hoje em dia são risíveis. O elenco, formado por um pessoal da melhor qualidade, como Patrick Stewart, Harry Dean Stanton, Linda Hunt, Jürgen Prochnow e Max Von Sydow, parece constrangido em ter que recitar falas pomposas, inverossímeis. A falta de convicção da galera é visível na tela.

Na época, Lynch se queixou de cortes realizados em sua visão original. Anos mais tarde, conseguiu lançar uma versão do diretor em DVD, uma versão estendida. Duna? Estendido? Haha, azar de quem viu.

Veja o trailer de Duna aqui. Ele é curto, apenas três minutos, mas resume toda a história do filme. Evita que se perca quase três horas preciosas de vida.

Curiosidade: Duna foi o filme de estreia de Kyle Maclachlan, o Paul Atreides. Ainda juntos, ele e David Lynch teriam a chance de recuperar um pouco de prestígio com seu próximo filme, Veludo Azul, e mais tarde, com a série Twin Peaks. Por coincidência, Maclachlan está completando 55 anos hoje. Parabéns.

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