28 – Gosto de Sangue

MV5BMTU5OTM3OTQ5M15BMl5BanBnXkFtZTYwNzEzMDc5._V1_SX214_O conjunto da obra dos Irmãos Coen é invejável: Arizona, Nunca Mais, Barton Fink, Ajuste de Contas, Fargo, O Grande Lebowski, E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?, Onde os Fracos Não Têm Vez, Bravura Indômita,… Mesmo seus filmes considerados menores, como A Roda da Fortuna, Queime Depois de Ler ou O Amor Custa Caro, não são propriamente ruins, são apenas… menores.

A principal marca da dupla é sua ojeriza ao lugar-comum: seus filmes apresentam uma desconcertante aura de estranheza, altas doses de humor negro e um desprezo declarado às convenções formais do cinema comercial. Pode-se até não gostar do que os caras fazem, mas jamais acusá-los de falta de originalidade.

Gosto de Sangue, em 1984, deu início a essa galeria bizarra. O colega Trezentos certa vez me disse que a primeira frase de um livro contém uma espécie de pista de como será o vocabulário da obra completa. Como se naquela pequena parte estivesse contida a essência do todo. Ora, se isso é válido para o cinema, o prólogo de Gosto de Sangue – uma narração em off nos alertando que “nada vem com uma garantia… Algo sempre pode dar errado” – serve como introdução não só para esta, mas para todas as tramas na filmografia  dos Coen. Mais que um prólogo, é uma carta de intenções da dupla.

Joel e Ethan Coen

Joel e Ethan Coen

Gosto de Sangue é uma releitura dos filmes noir dos anos 40. Dan Hedaya é o dono de um boteco no Texas que decide matar a esposa (Frances McDormand) e o amante, um de seus empregados. O universo do noir, com seus cônjuges sempre querendo dar cabo uns dos outros, é caros aos irmãos, que iriam repeti-lo, com variações, em títulos como Fargo ou O Homem Que Não Estava Lá. Aqui ele serve para que eles comecem a exercitar – e definir – seu estilo, a princípio mais visceral. Ainda não há a profusão de diálogos que caracterizaria o restante da sua obra – algumas sequências duram quase dez minutos sem que algum personagem abra sua boca. Essa escolha colabora para acentuar o tom niilista do filme, algo que eles repetiriam em Onde os Fracos… A influência de Hitchcock também se faz sentir em Gosto de Sangue, com pitadas de humor negro e uma trama que leva cada personagem a ignorar o que se passa, até o momento final.

Curiosidade: em 2004, por conta do aniversário de 20 anos do filme, os Coen lançaram em DVD uma “versão dos diretores” de Gosto de Sangue. Ao contrário do que costuma acontecer nessas versões, os dois cortaram cenas, deixando o ritmo da narrativa ainda mais ágil.

Aqui o trailer.

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