A primeira vez

Sujeitos como Steven Spielberg, James Cameron e Peter Jackson comandam equipes com mais de 5.000 pessoas, administram orçamentos na casa das centenas de milhões de dólares e dispõem de um enorme aparato industrial e tecnológico de última geração. Seus filmes são vistos e seus nomes são reconhecidos ao redor de todo o planeta. Tão por cima da carne seca. Não precisam olhar pro lado direito do cardápio.

Mas como é que teria sido lá no início, quando só podiam aplicar o conceito de blockbuster ao quarteirão onde viviam? Como esses caras se viravam no tempo em que contavam apenas com uma câmera surrada de super-8, criatividade, cartolina e a boa vontade dos camaradas?

Com o auxílio do IMDB e do Youtube, tentemos responder a essas perguntas, começando, respeitosamente, pelos mais velhos:

George Lucas, quase na casa dos 70 anos, pertence à chamada geração culta, a primeira leva de diretores formados em universidade, na Califórnia dos anos de 1960. Na época da graduação, Lucas fez uma série de pequenos filmes. O primeiro, Look at Life, é apenas uma fotomontagem com stills da revista Life, mostrando as efemérides de 1965.

Um ano depois, assinando apenas como Lucas, dirigiu Freiheit (liberdade, em alemão),  curta de cerca de três minutos. A trama, basicamente, consiste em um rapaz correndo, tentando atingir a fronteira entre as Alemanhas Oriental e Ocidental, no auge da Guerra Fria.  O único ator em cena é Randal Kleiser, que anos mais tarde, também diretor de cinema, assinaria sucessos como Grease e a Lagoa Azul.

De lambuja, pra quem nunca assistiu, fica aqui um link para o THX 1138 original, que Lucas também dirigiu na faculdade, e que refilmaria quatro anos mais tarde, já dentro do esquema de grande estúdio.

O debut de Steven Spielberg foi aos 13 anos de idade, com um bang bang chamado The Last Gun. Infelizmente, não consegui rastrear um link para esse curta. O primeiro filme disponível em vídeo da filmografia é Escape to Nowhere, de 1961. A versão original tinha 40 minutos, mas hoje em dia as melhores cópias contam com pouco menos de três minutos. É um filme de guerra, ambientado na África Oriental. A pobreza de recursos forçava a criatividade, como no caso dessa solução bem sacada (a partir de 00:48) usada para dar a impressão de minas explodindo atrás de soldados em fuga.

Robert Zemeckis também fez seu primeiro filme para a graduação na Universidade, em 1972. The Lift mostra a luta entre um homem comum de classe média e um… elevador. Apesar de levemente pretensioso, o filme é muitíssimo bem realizado, com fotografia impecável em preto e branco, bons ângulos e enquadramentos, edição correta, revelando que o cara tinha a manha desde cedo.

Em sua estreia como cineasta, James Cameron já ensaiava o tema do conflito homem versus a máquina, que anos mais tarde o tornaria um milionário. Xenogenesis, entrentanto, está mais para Perry Rhodan do que para O Exterminador do Futuro. Muitos efeitos em stop motion, mas nada muito convincente.

Tim Burton realizou seu primeiro filme em 1971, aos 13 anos de idade. Contudo, só foi possível encontrar o seguinte, Doctor of Doom, realizado oito anos depois. O curta é uma prova de que desde cedo o cineasta gostava de uma esquisitice. O próprio Burton aparece em cena, a partir dos 30 segundos. Quem faz o papel de Don Carlo é Brad Bird, atualmente um dos cineastas mais talentosos do mercado.

Ainda sobre Burton, recomendo uma passeadinha no site do cara, um primor em termos de design e interatividade.

Com The Valley, 1976, uma homenagem ao mestre dos efeitos especiais Ray Harryhausen,  Peter Jackson deu o pontapé inicial em sua carreira. Não há link para o curta, porém, para quem quiser dar uma conferida, no documentário The Sci-Fi Boys, disponível no Netflix, é possível ver uma breve sequência de The Valley.

Finalizamos com aquele que atualmente é o mais promissor diretor dessa lista, cara que consegue realizar filmes de altíssimo apelo comercial sem descambar no formulismo  rasteiro. O inglês Christopher Nolan dirigiu seu primeiro filme, o kafkaniano Doodlebug, em 1997. Se os primeiros filmes do David Lynch não foram a maior influência estética nesse curta, como o meu chapéu.

2 Respostas

  1. Muito bom, meu camarada… Muito bom mesmo.
    Belo trabalho de pesquisa.

    A tal “solução bem sacada ” do Spielberg é realmente a prova de que pobreza (em um sentido ou outro) de recursos força a criatividade…

    Talvez se o George Lucas não tivesse ganho tanto dinheiro com a trilogia original do Star Wars, a mais recente até prestasse… Ehehehe…

  2. Se o moço não tivesse tão preocupado em vender bonequinho, talvez lhe sobrasse mais tempo para filmes melhores.

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