Royal Hunt – X (2010)

Novamente: não julgue um disco pela capa...

Every sound in the world’s been created,

every song has been sung ‘til it faded away?

No, you’ve got a lot to learn…

Are you ready?

Depois de elogiar – e ouvir seguidamente – o mais recente álbum do Royal Hunt, o bom Show me How to Live, resolvi voltar um pouco na discografia do grupo e ouvir novamente um disco que, na época, me passou praticamente despercebido.

Como resultado, este post será uma espécie de mea culpa e tentará reparar uma certa injustiça que cometi comigo mesmo – e com o Royal Hunt – por ter subestimado esse álbum.

X, como o nome indica, é o décimo disco de estúdio da banda. Foi gravado de maneira analógica, com muita ênfase nas guitarras (mais do que provavelmente qualquer disco do Royal Hunt) e as melhores e mais nítidas influências do hard rock mais “clássico” dos anos 70 e 80. Não quer dizer que os teclados de Andre Andersen, os backing vocals característicos e os elementos de metal neoclássico não estejam lá. Eles estão, mas muitas vezes assumindo papel secundário e em menos destaque, em favor desse clima mais hard rock.

Após ter assumido os vocais no disco anterior, o veterano vocalista Mark Boals (Yngwie Malmsteen e muitos outros) parece estar muito à vontade com o material e, além de ter um timbre que evidencia esse estilo que permeia todo o disco, suas performances não são menos do que excelentes e adequadas ao estilo das canções.

Os riffs, bases e solos não deixam dúvidas a respeito dessas influências, que o guitarrista Marcus Jidell (Evergrey) incorpora muito bem e executa com competência e bom gosto exemplar.

Falando em bom gosto, em vários momentos André Andersen opta por evidenciar pianos e timbres mais retro nos teclados, o que se demonstra altamente eficaz, e, mesmo conscientemente se colocando em uma espécie de segundo plano, deixa espaços para brilhar com seu costumeiro virtuosismo. O baixista Andréas Passmark, por conta desse diferencial nos arranjos, acaba também encontrando bastante espaço para se destacar, formando, mais uma vez, uma sólida cozinha com o baterista Allan Sorensen, cujos timbres se apresentam algo modificados e, claro, mais de acordo com a proposta do álbum.

Com músicos de gabarito e em grande forma gravando um disco bastante coeso, fica difícil destacar alguma canção (eu dispensaria apenas Shadowman) ou performance em particular. As escolhas, influências e mudanças citadas no texto fazem a música do grupo dinamarquês soar renovada embora ainda facilmente reconhecível.  É provável que, mesmo com esse bem-vindo destaque nas guitarras, a banda tenha encontrado um equilíbrio quase perfeito entre todos os seus elementos e, de certa forma, até lamento que não tenha seguido nesse caminho, mesmo com a volta de D.C. Cooper aos vocais. Depois de algumas audições mais cuidadosas, já é possível colocar X em local de destaque como um dos melhores momentos de toda discografia do Royal Hunt.

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