A melhor das características

- Não, eu não tenho nada a ver com aquela banda americana chata.

Norrie Paramor (1914-1979) foi um produtor musical, compositor, arranjador e maestro inglês. Ele já exercia o ofício de “produtor musical” antes mesmo do termo existir: foi como “diretor de gravação” da EMI Columbia Records, em 1952, que ele deu o primeiro passo de sua exitosa carreira.

Produzindo o grande Hank Marvin e Cliff Richard na banda The Shadows, Paramor alcançou 26 vezes o topo das paradas britânicas com seus singles. Dominaram o cenário musical ilhéu no período pré-Beatles. Para que se tenha uma ideia da importância dessa marca, vale dizer que ela só foi ultrapassada em 1997, quando George Martin (que mesmo como produtor dos Beatles não lograra quebrar o recorde) produziu a cover de Candle in the Wind para Elton John prantear a Lady Di. E reparem que em 1997 já fazia 18 anos que Paramor havia batido a caçuleta.

Como arranjador e maestro lançou alguns álbuns com a Paramor and his Orchestra. Nada de muito especial, aquela onda meio Ray Coniff, que a gente já cansou de escutar em salas de espera de consultórios médicos, elevadores de prédios comerciais e rádios de gente velha.

Assim como a maioria de vocês (creio), até ontem eu jamais havia ouvido falar neste sujeito.

CARACTERÍSTICA (ou cortina), como é chamada, no jargão dos bichos de rádio, é aquela música que, em caráter permanente, dá início, pontua como trilha de fundo e identifica determinada atração. Algumas ficam associadas de forma indelével ao programa ou seu apresentador, e chegam mesmo a definir o imaginário de gerações de ouvintes.

Sidney Stopover, que Norrie Paramor e sua orquestra gravaram no álbum Jet Flight, de 1959, é uma característica muito conhecida dos sul-riograndenses: é com ela que a Rádio Gaúcha inicia suas jornadas esportivas, há mais de duas décadas. Não importa onde eu esteja, quando ouço esta música, como um rato em uma caixa de Skinner, vou correndo em busca da fonte do som, para descobrir de que jogo se trata.

Sempre quis saber de onde essa marcha havia saído. Achava que era algo extraído da trilha sonora de algum filme de guerra dos anos de 1950/60, a lá Canhões de Navarone. Mas nunca consegui descobrir. Isso até ontem, quando a Wikipedia finalmente matou a charada.

Muito gaúchos, colorados e gremistas, tiveram seus sonhos de glória e frustrações embalados ao som dessa marchinha. Na última quarta-feira ela serviu como trilha sonora para mais uma conquista colorada. Para os gremistas, o som das fanfarras deve ter representado um momento de sufoco, até mesmo ódio. Mas é assim que a coisa funciona: logo, logo, a balança se inverte e a carga negativa retorna pra nós (espero que demore, hehe). É o que faz desse esporte sensacional o que ele é.

E não importa quem ganhe, se azul ou vermelho; de qualquer forma, Sidney Stopover estará lá, avisando que é hora de chegar mais perto do rádio.

Ouçam aqui a versão integral. E vejam só que maravilha: aqui não tem o Pedro Ernesto pra interromper a audição.

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