Carcaju Sanguinolento

x-men-origins-wolverine-poster1É de doer. Convencional como um papai-e-mamãe, que eles lá chamam de posição do missionário; com a diferença de que o papai-e-mamãe é bom. Não tem surpresa nenhuma, tudo altamente previsível. Tentaram avançar em várias direções, mas o único rumo que conseguiram tomar foi o do lugar-comum. Tem horas que chega a lembrar o Comando para Matar: o herói tá lá, na dele, no meio do mato, cortando lenha, daí chega o seu antigo superior e diz: “Logan, você tem que voltar. Alguém está matando todos os  membros da sua antiga unidade”. Ele replica algo como “larguei essa vida” e recusa a oferta; logo em seguida acontece uma desgraça com algum ente querido e ele se vê obrigado a tomar medidas drásticas e voltar á ativa. É o clichê copiando o clichê. Pelo menos aqui não tem o Vernon Wells com seu vilão estilo Freddie Mercury.

Ah, e os diálogos… À certa altura tentam evocar o espírito da primeira parte do Superman de 78, com um casal de fazendeiros velhinhos acolhendo o Wolverine. Parecem os pais adotivos do Clark Kent. Percebendo a inquietação nos olhos do jovem herói, o Jonathan Kent genérico pergunta:

– Você sabe o que acontece com a pessoa que procura sangue, meu rapaz?

– O que?

– Ela encontra.

Não falta nem aquela caminhadinha básica em câmera lenta, com uma explosão tomando conta do fundo da tela. Cool guys don’t look at explosions! Parece até que o troço foi produzido pelo Joel Silver ou pelo Jerry Bruckheimer, com o Michael Bay de diretor.

O Schwarzenegger acenderia um charuto nessa hora...

O Schwarzenegger acenderia um charuto nessa hora...

E vai ficando pior á medida que a, digamos, trama, se desenvolve. Dá pra dizer que é  um dos piores filmes de herói  cometidos desde que começou a onda, no fim dos anos 90.  Não chega a ser tão tão ruim como Elektra, mas é que devemos levar em consideração a reversão de expectativas. Aconselho a não gastarem tempo e dinheiro com esssa porcaria. Se forem perder algo, que seja só o tempo. Mas não deem dinheiro pros caras, eles não merecem.

Adíós, Señor Jackman!

4 Respostas

  1. Vergonha alheia, cruzes…

  2. Caro Espantalho, eu não li seu post em tempo e fui ver o maldito filme. Cruzescredo, mas que coisa ruim. Além da caminhadinha em câmera lenta saindo da explosão tb não faltou a cena do mocinho com a mocinha agonizante nos braços, jogando a cabeça para trás em um grito animalesco, fazendo as veias do pescoço saltarem, enquanto a câmera se afasta até a gente ver a desgraça do herói lá do alto. Desgraça do espectador, na real… Que coisa mais chata-clichê-sonolenta. E no X-Men era tão bom…

  3. Bah, isso me fez lembrar de outra dessas cenas clássicas de mocinha morrendo nos braços do herói, protagonizada pelo próprio Jackman e pela Kathy Beckinsale, no Van Helsing. Após o último suspiro da donzela, ele, que havia se transformado em um lobisomem, uiva para o pálido luar, enquanto vai se transformando novamente em homem. A transformação é tão rápida que podemos ouvir esse uivo canino virando um grito humano de dor. Como diria o Mojica, praticameeente uma obra-prima.

  4. Outro problema é que o espectador tem que ativar a famosa “suspensão de descrença” em relação ao próprio universo estabelecido para o personagem nos 3 filmes da franquia X-Men…

    Complicado.

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