Cowboy Junkies: Trinity Revisited

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Suas vidas nunca mais serão as mesmas”, foi o que a mãe dos irmãos Timmins disse ao ouvir o resultado das gravações daquele dia, vinte anos atrás, numa igreja na cidade de Toronto, Canadá. O disco The Trinity Session, gravado em apenas um dia, com apenas um microfone captando toda performance e sem nenhum overdub, auxiliado pela acústica do local e refinado por algum tempo na estrada (quando às vezes tocaram em troca de lugar para ficar e dormir) e a experiência que isso trouxe à banda, levaria os Cowboy Junkies não ao estrelato, mas ao posto de uma das mais queridas bandas do cenário musical underground.

Em 2006, os Cowboy Junkies (os irmãos Margo, Michael e Peter Timmins, mais o amigo Alan Anton) retornam à Trinity Church em Toronto para homenagear este dia especial e, segundo eles mesmos, não para regravar o disco, mas reinterpretá-lo. Para tanto, como há vinte anos atrás, alguns amigos participariam da gravação (Jeff Bird, multiinstrumentista que fez parte da gravação original, Vic Chesnutt, Ryan Adams e Natalie Merchant) e o processo seria basicamente o mesmo: gravar em um único dia, com algum ensaio e nenhum overdub.

O resultado é Trinity Revisited, (em edição caprichada e milagrosamente nacional) que contém tanto o áudio quanto o dvd do dia das gravações. Claro que toda a mítica em torno do disco não faria sentido sem boas músicas e sem uma boa banda a executá-las. Se a belíssima Misguided Angel e a lisérgica Working on a Building se sobressaem no dueto entre Margo Timmins e Natalie Merchant, Sweet Jane ganha introdução altamente psicodélica recheada de microfonias e distorções enquanto To Love is to Bury tem a melhor interpretação entre os convidados do dia, com Natalie ao piano, acompanhada apenas de Jeff Bird no violino, numa performance de tal personalidade que a canção parece ter saído do seu próprio repertório.

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Das performances individuais, destaque como sempre para o vocal suave e tranqüilo de Margo Timmins (mesmo que relegada a backing vocal em alguns momentos); a classe e o feeling de Peter Timmins na bateria; a segurança de Alan Anton no baixo; a costumeira habilidade e competência de Jeff Bird se alternando entre vários instrumentos, e a marca inconfundível em cada participação de Natalie Merchant. Já Michael Timmins, embora ótimo compositor e letrista, como guitarrista solo continua devendo, enquanto que leva algum tempo para se acostumar com os vocais de Vic Chesnutt e Ryan Adams (mas que se sai muito bem em 200 More Miles) nas partes originalmente cantadas por Margo Timmins.

Mesmo assim, o saldo final, se não é perfeito (mas afinal essas imperfeições fazem parte do charme e da identidade do grupo), é emocionante, tanto pela música em si quanto pelo que ele representa na carreira dos Cowboy Junkies.

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4 Respostas

  1. Confesso meu parcial desconhecimento a respeito de Cowboy Junkies. A primeira vez que ouvi foi um disco emprestado pelo Espantalho, que ouvi e não gostei. A coisa mudou radicalmente de figura com a coletânea que tu organizou para mim e que até hoje escuto com muito gosto. Tornaram-se para mim uma banda a ser acompanhada – mas quem diz que eu ando com tempo para acompanhar qualquer coisa que não seja literatura.

  2. Eu estava acompanhando, mas fiquei com sono e dormi.

  3. Bom, se tu só acompanhou o cd que o Espantalho emprestou pro Trezentos eu até poderia concordar.

  4. COWBOY JUNKIES FOI UMA DAS ÚLTIMAS BANDAS OUVIDAS POR RENATO RUSSO ANTES DE MORRER. COMO ELE DISSE É SÓ OUVÍ-LOS PARA SABER O QUANTO SÃO DIFERENTE DA PASMACEIRA QUE MARCA A MÚSICA E MÍDIA MUNDIAL. LETRAS COMPETENTES, A ALTURA DE UM CHICO BUARQUE QUANDO FALA DA ALMA FEMININA. MICHAEL TIMMINS, GUITARRISTA E UM GRANDE POETA, ALÉM DO COMPETENTE ALAN ANTON NO BAIXO E O NÃO MENOS COMPETENTE BATEIRISTA, IRMAÕ DE MICHAEL FIZERAM DOS JUNKIES UMA DAS BANDAS MAIS RESPEITADAS E HONESTA DO CENÁRIO MUNDIAL, SEM SE VENDER PARA GRANDE MIDIA. HÁ TAMBÉM O ÓTIMO JEFF BIRD, COM GRANDE PERFORMACES. MAS, O MELHOR SEM DÚVIDA É A BELA MARGO TIMMINS, UMA DAS VOZES MAIS SUAVES E MARCANTES DO MUNDO DA MÚSICA ALTERNATIVA.

    BOA CRITICA ATENTA E ESCLARECEDORA PARA MUITOS QUE NÃO TEM ACESSO A ESSA EXCELENTE BANDA, QUE EMBALOU OS ÚLTIMOS MOMENTOS DO GRANDE POETA RENATO RUSSO.

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