Watchmen

wmr

Atenção: contém “spoilers”!

Sempre Alerta: Pergunto (para quem assistiu e leu o gibi – eu não li): o filme realmente é o mais fiel possível aos quadrinhos? Porque, se for, desculpem se não captei alguma coisa, mas achei a “espinha dorsal” da história bem idiota: o plano mirabolante do Ozymandias é tão consistente quanto uma máquina de transformar todo mundo em mutante.
Mais idiota que ele só o Dr. Manhattan, que consegue ser o maior palerma (acho que “plasta” seria uma palavra mais apropriada até) do universo, mesmo sendo quase um deus, como é apregoado durante toda história.

Trezentos: No quadrinho o plano termina ainda pior: em vez de fazer o mundo acreditar que tudo é culpa do Dr. Manhathan, no gibi Ozymandias rapta cientistas, físicos, geneticistas, romancistas (!!?), desenhistas de quadrinhos (!!!??!?!?) para conceber uma criatura alienígena viva. Quando eles transportam o monstro para Nova York, o “estresse” do teletransporte gera uma “onda de choque psíquica” (é sério) que mata milhares ao redor da Times Square. Daí pra diante o resto é igual.

Sempre Alerta: Minhanossasenhora… Muito pior que máquina de transformar todo mundo em mutante… Ainda bem que mudaram isso –  o que não ajudou em muito.

 

(…)

Sempre Alerta: Melhor do filme (tanto o personagem quanto o ator): Rorscharch, sem dúvida. Aliás, responsável pela frase mais “fodona” de um personagem em quadrinhos de todos os tempos. Em segundo lugar, o Comediante. Os demais personagens se embolam depois disso, mas o Ozymandias, péssimo. Realmente tem coisa dos quadrinhos que não deveria de maneira alguma ser transposta para a tela. Aliás, se eu fosse o homem mais inteligente do mundo, jamais me vestiria daquele jeito. Lembram do “você preferia um colante amarelo”? Pois então, essa era a exata hora de desafiar um pouco os fãs mais ranhetas e colocar o cara de capote preto ou então de terno. Acho que pior que ele só aquele azulão pelado mesmo.

Trezentos: No demais, concordo contigo com o Ozymandias ser um ponto fraco. E acho que há uma explicação para a “esterilidade” que tu sentiu. No gibi, tem diversas outras linhas narrativas que mostram o impacto daquelas pessoas, aqueles super-heróis, na vida de gente comum (não esqueçam que isso saiu antes do Marvels e antes do Star City): uma motorista de táxi lésbica, o dono da banca de revistas, um garoto que fica o tempo todo por ali lendo o gibi dos Contos do Cargueiro Negro, o próprio médico que trata o Roschach (e que narra em primeira pessoa o episódio da sessão de terapia, o que não acontece no filme) e o editor do jornal direitista e o assistente dele,que no filme aparecem só na última cena, mas que no gibi dão as caras por mais tempo. Mesmo a revelação da identidade do Roschach no gibi tem mais impacto porque nós reparamos nele antes como o homem do cartaz do fim do mundo (ele chega e até mesmo compra sempre um exemplar daquele mesmo jornal na banca do tiozinho esse).

Sempre Alerta: E saiu antes ou depois do Cavaleiro das Trevas? Pergunto pq no filme tem uma cena igual, com o Coruja, à noite, pelado em frente ao uniforme…

Trezentos: No Brasil, Cavaleiro das Trevas saiu primeiro. Na prática, nos Estados Unidos, os dois saíram quase juntos, então não creio que a cena tenha sido copiada por nenhum dos dois.

 

Sempre Alerta: Quanto ao impacto dos mascarados na vida das pessoas comuns (coisa que tem no Cavaleiro das Trevas também), mais uma vez, excesso de informação para um filme de duas horas e tanto. Não no gibi – 12 números??? – mas no filme seria. Podaram isso e perderam o sentido de algumas coisas. Já me perguntei: era a hora dessa adaptação?

Acho que li em algum lugar, se Watchmen foi a obra que redefiniu os quadrinhos de super-herói (quando os quadrinhos de super-herói já existiam há um bom tempo), era a hora de usar esse mesmo conceito numa época em que os filmes de super-heróis recém acertaram o passo?

Me parece que o conceito de herói sombrio, em conflito, perde sentido depois do Cavaleiro das Trevas (filme). Ou pelo menos perdeu o momento.

Trezentos: Sim, até porque o filme do Cavaleiro das Trevas levou para o cinema de modo magistral algo que o Frank Miller havia abordado no Cavaleiro das Trevas gibi: O quanto o gesto do Batman, que em princípio é tomado para ajudar a cidade, a seu modo, é de fato benéfico, uma vez que ele parece inspirar o bando de malucos que termina caçando – no gibi o Coringa está catatônico há 10 anos quando volta a si no momento em que o Batman reaparece. Harvey Dent, que tinha a chance de uma vida melhor depois da operação, sucumbe à insanidade também depois da volta do Batman. É como se o Batman fosse parte do mal que combate.. O fato de o Coringa no filme dizer que só faz o que faz porque o Batman “mudou tudo” e por isso a cidade “precisa de um tipo melhor de criminoso” é parte disso.

 

(…)

 

Trezentos: Sem esse contraponto “humano”, acho que o filme fica entregue às forças e fraquezas dos uniformizados, e eles não empolgam por igual. Rorschach é sim o melhor personagem – e sim, aquela frase é foda. O comediante também está muito bem, embora o filme não faça uma contextualização importante que passa batido: no gibi, é dito que o Comediante começou a combater o crime nas docas aos 17 anos em 1938, por aí – o que ajuda, mas não muito, a explicar como ele ainda permanece na ativa em 1985. No filme isso não fica muito claro, dá a impressão de que o cara é meio Wolverine.

Sempre Alerta: Bom, ele tem superforça, não? Às vezes, é melhor não explicar, lembrem do Highlander…

Trezentos: Aí é que tá. No gibi não tem. Digamos que as soluções visuais de impacto que o Snyder arranjou para as cenas de luta do filme dão essa impressão – O Zé Mandias jogando o Coruja e o Roschach pra longe também dá essa impressão – e no gibi não é assim, é só gente fantasiada. O Comediante começa usando aquele uniforme que vocês viram nas cenas do passado, e que era simplesmente tecido – até que um cara o esfaqueia, e ele muda para aquela armadura. O Coruja é um cientista com uma herança, por isso ele bola aquelas bugigangas. E o Rorschach é muito astuto e um gênio tático. mas o único ser daquele universo do gibi com superpoderes é o Dr. Manhattan. – é o único herói realmente super. E quanto a ele parecer meio abobado, acho que isso faz parte da legitimidade do personagem. Ele tem os poderes de um Deus, e justamente por isso já não consegue mais se conectar com muito da mente humana.

 

Sempre Alerta: Mais uma vez, reafirmo que o melhor do filme é o Rorschach. Admito que o fim do personagem me deixou triste, e a cena em questão é bem intensa até, por causa dele.

Trezentos: (…) sim, o fim do Rorschach é emocionante – também porque o cara é um baita ator.

 

Sempre Alerta: Visualmente, o filme é um desbunde, sem dúvida, mas como algumas vezes o enredo parece se perder em detalhes desnecessários, fica arrastado. Li na SET que alguns ajustes foram necessários, como o aumento da ação. Aumento da ação? Nossa, tinha MENOS que isso? Claro que eu não tô querendo só tiro e pancadaria, mas aí eu começo a me perguntar se a história realmente funciona como filme, para ser “absorvida” de uma vez só, ou se ela funciona melhor no quadrinho mesmo, em doses homeopáticas de informação. Resumindo, não é ruim. Obviamente tem seus momentos. Mas não é essa obra-prima também, bem longe disso. Tecnicamente falando é um belo filme, mas como roteiro também exige técnica, nessa parte acho que houve o erro de querer transpor TUDO para a tela. Acho que isso deixou o filme meio frio, estéril, em alguns (vários) momentos.

Trezentos: No fim, acho que tu tocou num ponto – e que dá razão indiretamente ao Moore: Ele disse que ele e o Gibbons fizeram coisas ali pensadas para a linguagem dos quadrinhos, e que não poderiam ser transpostas. Talvez o ritmo narrativo seja uma dessas coisas. Uma cena que me incomodou particularmente foi a maneira como Manhathan muda de ideia e decide voltar à Terra com a Espectral (outra coisa MUITO BOA do filme) porque ela representa “o milagre da vida”. O texto do Moore é quase aquele mesmo. Mas confesso que no gibi não soava idiota daquele jeito.

Sempre Alerta: O drama em torno do fato do Comediante ser pai da Espectral era para ser sério? Em novela mexicana tá cheio disso também. É isso que a SET chama de “complexa rede de conspirações, metáfora e psicologia”???

Trezentos: Era, mas no gibi esse drama advém não do fato de ele ser o pai dela, e sim acrescenta uma certa complexidade à linha narrativa da MÃE da espectral e ao caráter do Comediante. O cara é um escroto, mas é para ser um escroto fascinante a seu modo, já que até a mulher que ele tentou estuprar – depois de cobrir de porrada – no fim das contas acabou indo lá e dando pra ele.

Sempre Alerta: Sei lá, fico pensando como seria se não tivesse nem a bichon.., digo o Ozymandias, nem o Dr. Manhattan, e o assassinato do Comediante fizesse parte de uma conspiração militar ou coisa assim. Afinal, ele não participou do assassinato do Kennedy? Não sei nem se é o caso de dizer que faltou “conteúdo”, como andam dizendo por aí. Conteúdo tem bastante (não necessariamente todo ele de qualidade), acho que faltou agilidade na transposição. Culpa da direção ao querer filmar exatamente o material original do Sr. Alan Moore.

Espantalho: Ah, a sequência dos créditos é boa paca.

 

Trezentos: Mas olha, apesar do que pareça por tudo aí que eu disse, eu gostei do filme, mas não saí empolgado do fim dele.

 

Sempre Alerta: É mais ou menos isso mesmo. Não é ruim, mas também não é uma obra-prima. Tá certo que os caras pegaram um rabo de foguete ao tentar adaptar uma obra com tantas nuances e detalhes e pensada para uma mídia bem específica que é o quadrinho, que te possibilita ir e voltar nas páginas, (re)buscar a informação que passou desapercebida e tal e côsa, mas o filme realmente ficou frio e não empolga. O que me deixa triste com o fim do Rorschach não é o fim dele em si (a melhor cena dramática do filme), mas o fim dele vir pelas mãos do palerma do Dr. Manhattan. Mas pelo menos não teve monstro. Será que não rolava fazer em duas partes, tipo Kill Bill…?  🙂 (N.E.: Terry Gilliam considered directing this film as early as 1989, but after several unsatisfactory drafts of the screenplay, decided the material unfilmable as a feature production. Gilliam had said he would consider directing it as a five hour miniseries at least. Fonte: IMDB)

Em tempo: o “trailer” do Jornada nas Estrelas é beem bacana. Proporcionalmente, acho que me empolgou mais que o Watchmen inteiro. Rá!

 

Tcheloco: Não me empolguei pra ler e também não me empolguei pra ver…
Agora Star Trek sim… malditos Klingons!

 

Trezentos: Bá, taí um troço que não me desperta curiosidade alguma.

 

Sempre Alerta: Que venham as pedras.

 

wmtc

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3 Respostas

  1. O Dr. Manhattan é emo…

  2. Certas coisas jamais deveriam ser transpostas para o celulóide…
    Pra quem curtiu, saiu há pouco nas melhores “locadoras alternativas” o desenho animado Contos do Cargueiro Negro e um “documentário” baseado na autobiografia do Hollis Mason, Taking Off the Mask.

  3. Eu vi o Contos do Cargueiro Negro. Uma animação ok, mas só. Retirada de Watchmen, perdeu a razão de ser _ que eu desconheço completamente qual seja, já que li os gibis, vi o filme e continuo achando tudo de uma pretensão atroz.

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