Não!

Desde Feitiço do Tempo em 1993, muitas comédias resolveram adotar a fórmula de uma premissa única (geralmente fantástica), sobre a qual toda a trama se sustenta: a partir daí foi um tal de o que aconteceria se Jim Carrey fosse obrigado a falar somente a verdade? Ou se ele assumisse o lugar de Deus? E se Adam Sandler tivesse um controle remoto que lhe desse domínio sobre o  tempo? E se Jack Black passasse a ver apenas a beleza interior das pessoas? Nos EUA, onde impera uma necessidade quase aristotélica de categorização, tal subgênero recebeu o nome de “What if?”.  A maioria desses títulos resultou bastante irregular, bem diferente da pequena obra-prima protagonizada por Bill Murray. Mas faturavam alto.

O cartaz é ruim como o filme

O cartaz é ruim como o filme

O enorme número de piadas de mau gosto presente nesses títulos nos leva a  crer erroneamente que se tratam de filmes politicamente incorretos; na verdade são pequenas fábulas, com pano de fundo moral, onde o personagem principal aprende uma lição e se torna um ser humano melhor. Em geral, o maior conflito existente é o do pai que nunca tem tempo para a família, que falta à apresentação teatral do filho na escola, etc., mas no fim acaba se reconciliando com os seus. Haja saco…

Yes Man é mais um desses que parte de apenas um pressuposto básico: e se Jim Carrey subitamente se visse obrigado a dizer ‘sim’ para tudo? Só isso. Se os filmes citados anteriormente, ainda que irregulares, traziam pelo menos uma ou outra  situação digna de lembrança, aqui nada funciona. Manja aqueles momentos em que presenciamos alguém pagando o maior mico e também  acabamos constrangidos, em solidariedade? É como nos sentimos com relação ao Jim Carrey nessa bomba: dá  vontade de esconder a cara no chão.

Não fosse por uma  única seqüência em que Carrey recebe os favores sexuais de uma idosa, o filme seria tão careta quanto o Ned Flanders numa manhã de domingo. Lembra mais uma daquelas edificantes matérias-depoimento das Seleções do Reader’s Digest, tipo “os A.A. mudaram minha vida”. Os diálogos são de última categoria, o elenco não convence e –  o que é mais fatal no caso de uma comédia – não há o mínimo sinal de graça.

Zooey Deschanel, uma Debra Winger mais bonita porém menos talentosa, escolhe muito mal os filmes de que participa. Aqui ela proporciona o pior espetáculo musical desde o advento das Shaggs.

Uma certeza Carrey deve ter agora: jamais deveria ter dito ‘”sim” ao ser convidado pra embarcar nessa furada.

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5 Respostas

  1. Por coincidência, assisti novamente o Feitiço de Tempo há uns dois dias. Filmaço, sempre.
    Agora, não sei se por influência deste post ou não, em algum momento tive medo que tentem refilmá-lo, e com o Jim Carrey no papel que foi do Bill Murray…

  2. Como está na canção do Biff…

    O que faz um produtor?
    Eu não sei

  3. Em algum momento vão refilmar. Certo.
    Hollywood hoje é a meca do grande boquete universal…

  4. Sobre o modo de pensar de um produtor em Hollywood: o Trezentos me contou que o Kenneth Brannagh vai dirigir a versão do Thor para o cinema. Fiquei me perguntando: mas a troco de que iam colocar esse cara pra dirigir um personagem como o Thor? Aí me veio o estalo! O cara é o mais notório diretor shakesperiano no cinema contemporâneo, portanto, especialista em personagens que falam na segunda do plural. Tem que ser ele!
    E a escolha do excelente Stellan Skarsgård para o papel de Odin deve ter ido mais ou menos pelo mesmo caminho: para o cara que vai ser o chefão de Asgard vamos chamar aquele sueco que tem o sobrenome parecido. Além do mais, o sobrenome dele tem aquele acento-bolinha típico dos nórdicos, vai conferir maior legitimidade à produção. Y así pasan los dias…

  5. Isso quer dizer que os filmes seriam melhores sem os produtores dando pitaco?

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