Músculos e inteligência

A sorte sem dúvida ajuda quem se prepara…

Quando O.J. Simpson sai do projeto The Terminator e Arnold assume o posto de robô assassino ele estava preparado e com sorte. A sorte é que o filme estava sendo dirigido por James Cameron, que só tinha realizado trabalhos com efeitos especiais secundários em filmes de John Carpenter, que por sí só são secundários, e dirigiu Piranha II.

Agora me digam, que produtor seria burro o suficiente para fazer um filme com um brucutu simpático e querido na tv – sim, ele fazia várias coisas na tv, sempre como um simpático brucutu – e comentarista de esportes. Neste quesito ele era duas vezes querido, porque com um sotaque daqueles, quem não ia assistir o comentário? Devia ser muito engraçado para muita gente, como a gaga de ilhéus. Para complicar, o personagem era para ser o pior dos vilões. Como fazer isso se o filme anterior o sujeito tinha sido um grande herói? E antes disso tinha sido o mesmo herói, só que ainda sofrido e escravizado… ó vida…

Bom, é aí que entra a sorte. Duvido que alguém soubesse que James Cameron é um gênio. Fez na telona o milagre da transformação do brucutu. Quase um anti-herói. Dava medo ver Arnold Schwarzenegger, porque ele nem piscava quando puxava o gatilho. Andava como um robo e fazia todas as expressões faciais que um robo faria. Se bem que ele continuou 60% assim depois…

Com um orçamento mínimo, O Exterminador do Futuro faz uma gigantesca bilheteria. Todo mundo queria ver Schwarzenegger como vilão… e ainda por cima o filme é mesmo muito bom.

Preso a um contrato infame, que assegurava mais um filme produzido por Dino de Laurentiis, Schwarzenegger chora as pitangas para se livrar de mais um Conan. A amizade no mundo cinematrográfico é interessante… Tanto que Sylvester Stallone e sua nova esposa Brigitte Nielsen acabam entrando na história e ao invés de Conan III vem Red Sonja. DeLaurentiis contente, Brigite Nielsen contente, Schwarzenegger meia-boca… mas assim se livra do contrato. E então sai um filme ruim. Tão ruim que Conan II passa a ser um clássico. Sinceramente não sei o que deu em Richard Fleischer, que dirigiu Viagem Fantástica e Soylent Green. Bom… ele também dirigiu Amytiville 3-D… talvez tivesse sua parcela de culpa afinal.

Livre do contrato e comprando todos os imóveis que podia com o que ganhava, Schwarzenegger já estava começando a engrenar no cinema. Não como o brucutu que fazia ponta, mas alguém que podia agora estrelar um filme.

Se não fosse Rambo II, o próximo filme de Schwarzenegger não vingaria. Aliás, se não fosse Stallone espalhar porrada e tiro, Schwarzenegger não poderia exercer o papel de ator principal em filme secundário de ação. Foi isso que aconteceu com o famigerado Comando para Matar, em 1985. No filme, ele é um super-mega-comando, que sozinho acaba com o exército de um país latino fictício para salvar a filha. O melhor de tudo é o vilão, Vernon Wells, que é o sósia de Freddie Mercury, um vilão tão macho que parecia um veadão, tipo cuecão de couro mano… sacou o tipo não?

Resultado… Sucesso de bilheteria por causa de Schwarzenegger. Ele batia mais que Stallone, ele usava mais armas que Stallone e tinha um braço maior do que o do Stallone. Lembro que na época tinha sempre a comparação de quem era mais osso duro.

Para disfarçar o sotaque, o personagem era europeu.

O mesmo acontece no filme seguinte, Raw Deal, uma tremenda bomba, meia-boca na bilheteria mas garante um cachê de 2 milhões para Schwarzenegger. O resultado é o policial da escopeta, com coceira no gatilho que mata todo mundo. 1986 foi um ano bom para Schwarzenegger, mas 1987 seria definitivo.

No próximo post: ninguém é mais osso duro de roer.

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2 Respostas

  1. Confesso que a geopolítica de Valverde, o fictício país de Comando para Matar, sempre me deixou um pouco intrigado.
    O país resumia-se a uma pequena ilha, onde havia apenas a sede do governo e o ditador. A população consistia de uma centena de soldados e do Vernon Wells. Em pouco mais de 30 minutos o Schwarzenegger trouxe o holocausto a toda uma nação.
    E no fim de tudo o Vernon Wells entrava pelo cano. Ou melhor, o cano entrava pelo Vernon Wells.

  2. A resposta está no próprio filme. O ditador olha para Matrix e diz:
    – Você não entende um pais como Valverde.

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