Os Gêmeos Inconvenientes

Alguns candidatos a blockbuster de Hollywood volta e meia são obrigados a conviver com outros títulos, cujo lançamento, quase simultâneo, tem por único objetivo aproveitar seu provável sucesso. Ou seja, mesmo antes de sua estreia, o filme já tem que lidar com a incômoda existência de um clone, surgido na sua esteira. E não está se tratando aqui daqueles  famigerados mockbusters cometidos por produtoras nanicas como a Asylum; são filmes de alto orçamento, realizados pelos grandes estúdios, que ao invés de apostarem em novas ideias, preferem vampirizar a temática de projetos já anunciados pela concorrência. Na caradura.

Uma lista com os mais notórios exemplos desses gêmeos inconvenientes teria que começar, obrigatoriamente, pelo departamento de animação da Dreamworks, líder absoluto na gestação desse tipo de criatura. Os caras se esmeraram tanto na arte da imitação que acabaram engendrando um sósia ainda melhor que seu original: Madagascar surgiu no rastro de Selvagem, da Buena Vista. Devido à opção por um visual mais realista, o projeto do estúdio ligado a Disney demorou mais tempo para ser lançado. Com uma proposta mais cartunesca, e portanto mais simples de ser executada, Madagascar ficou pronto e foi lançado quase que um ano antes, obtendo enorme repercussão junto às plateias do mundo todo e originando  uma franquia milionária. Selvagem acabou não faturando um terço de seu gêmeo inconveniente. Mas, sejamos justos, o projeto da Dreamworks dá de relho no da Disney.

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O estúdio dos senhores Steven Spielberg, Jeffrey Katzenberg e David Geffen também macaqueou a Disney (e a Pixar) em mais duas ocasiões, com FormiguinhaZ (cópia de Vida de Inseto) e O Espanta-Tubarões (Procurando Nemo).

Mas não é só no campo da animação que a Dreamworks costuma tungar a concorrência: nos anos 90, quando o  Jerry Bruckheimer anunciou seu anabolizado Armagedom, os Três Porquinhos imediatamente vieram de Impacto Profundo, bombaço cujo maior mérito era trazer Morgan Freeman como presidente dos EUA. Sinal dos tempos: há apenas dez anos, um negro como chefe do executivo dos gringos era coisa imaginável somente em filme de ficção científica…

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Essa nova onda de filmes-catástrofe, no entanto, começou com dois filmes catastróficos, em 1997: O Inferno de Dante, o último suspiro cinematográfico da Linda Hamilton, e Volcano – a Fúria. Os dois filmes tratavam de erupções vulcânicas, sendo que a de Volcano ocorria em plena Los Angeles (!!??). O cara tem que ter muita envergadura moral pra sobreviver a uma jericada desse porte: caso de Tommy Lee Jones, cuja carreira segue firme e forte, apesar desta e de várias outras asneiras cometidas nos últimos anos.

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Tombstone / Wyatt Earp – Esse é um dos pucos casos em que os dois gêmeos nasceram saudáveis, ainda que bastante diferentes em suas feições: o Tombstone de George Pan Cosmatos era basicamente entretenimento, um bang bang nos moldes tradicionais, e trazia um par de protagonistas – Kurt Russell (Wyatt Earp) e Val Kilmer (Doc Holliday) – bem afinados. A obra de Lawrence Kasdan, por sua vez, tinha aspirações artísticas mais elevadas: pretendia-se um épico grave, austero, sobre a formação de uma nação. À época de seu lançamento não foi bem recebido; revisto hoje, até que é um drama bastante competente. Dennis Quaid compõe um inesquecível Doc Holliday, bem diferente do aguado Wyatt Earp de Kevin Costner. Doc Holliday, diga-se de passagem, é um personagem  (histórico, visto que realmente existiu) afortunado: além dos atores já citados, também foi vivido na grande tela por caras do naipe de Kirk Douglas, Victor Mature, Jason Robards e Walter Huston. Sempre com performances notáveis.

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Robin Hood / Robin Hood – O Príncipe dos Ladrões – No início da década de 90, alguns produtores cismaram que era hora de ressuscitar o ladrão que roubava dos ricos para dar aos pobres. Passados quase 20 anos, a única coisa que as pessoas lembram da versão com o Kevin Costner são aquelas sequências em que acompanhamos a trajetória de uma flecha pelo ponto de vista da mesma; de qualquer forma, é mais do que o filme com Patrick Bergin e Uma Thurman, que não tem nada de memorável. O Ridley Scott tá preparando sua visão do personagem para 2010. Quem come prego…

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O Grande Truque / O Ilusionista – Outro caso em que os dois gêmeos vingaram. Apesar de ambos serem ambientados na virada do século XIX para o XX, e abordarem temas semelhantes – o universo dos mágicos e prestidigitadores – não parece que tenha havido má-fé da parte de algum dos envolvidos nos projetos. Acima de tudo paira uma dúvida atroz: Jessica Biel ou Scarlett Johansson?

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Às vezes, por sorte – ou lampejo de inteligência – o pessoal resolve abandonar o barco antes mesmo dele zarpar: foi o caso do Baz Luhrmann, que pretendia filmar a vida de Alexandre, o Grande, com o Leonardo Di Caprio, mas acabou desistindo  em função do projeto do Oliver Stone, trazendo Colin Farrell no papel-título. Bem que o Stone também podia ter desistido…

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Uma resposta

  1. “O Inferno de Dante, o último suspiro cinematográfico da Linda Hamilton”

    Não conte com isso

    Do omelete:
    Linda Hamilton é confirmada em Exterminador do Futuro: A Salvação
    Sarah Connor fará a narração de abertura do quarto filme da série
    (http://www.omelete.com.br/cine/100018657/Linda_Hamilton_e_confirmada_em_Exterminador_do_Futuro__A_Salvacao.aspx)

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