Take a Walken on the Wild Side

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Christopher Walken é conhecido por roubar a cena quando exerce papéis secundários, geralmente encarnando personagens mentalmente instáveis, limítrofes. Foi assim em O Franco Atirador, trabalho que lhe rendeu o Oscar em 1978, quando ofuscou gente do quilate de Robert De Niro e Meryl Streep. Sua estréia na tela grande já havia sido auspiciosa, trabalhando sob a batuta do recentemente falecido Sidney Lumet, ao lado de Sean Connery, em O Golpe de John Anderson. Ainda iria trabalhar com Paul Mazursky e Woody Allen, até ganhar o papel de Nicky, o jovem e perturbado ex-prisioneiro de guerra que perde a vida praticando roleta-russa no filme de Michael Cimino. Revendo O Franco Atirador nos dias de hoje, percebe-se que os vietcongues do período pré-Platoon eram retratados como uns verdadeiros fuckin’ yellow bastards; é que na Hollywood dos anos 70 ainda prevalecia uma certa visão John Wayne de mundo.

Com o tempo, Walken desenvolveu um estilo único, caracterizado pelos largos movimentos com as mãos espalmadas,  os meneios com a cabeça e a ênfase inusitada em determinadas palavras da sentença. Acabou se transformando em um dos alvos favoritos dos imitadores, do mesmo modo que sujeitos como De Niro, Pacino ou Nicholson. Aqui temos uma performance do ator e comediante Kevin Pollack, imaginando como seria a reação de Walken ao receber a visita de crianças no Halloween. Trick or Threat?

Sujeito bem-humorado, Walken sabe rir de si mesmo como ninguém. Prova disso é a sua participação altamente estilosa no clip da Weapon of Choice, do Fatboy Slim, ou essa insólita (e hilária) leitura de Os Três Porquinhos. E como não lembrar do monólogo do relógio do Capitão Koonz em Pulp Fiction? Por vezes, chega a ser uma caricatura de si mesmo, a exemplo do De Niro. Mas não se deixem enganar, para além do bufão ainda há o ator que consegue nos oferecer performances pra lá de inspiradas, como a de Frank Abagnale, em Prenda-me se For Capaz. Dirigido pelo Spielberg e contracenando com o Di Caprio, Walken comove no papel do pai fracassado que jamais admite a derrota.

Aos 65 anos, Walken ainda trabalha direto. Um de seus projetos mais recentes é Evil Calls, o primeiro de uma trilogia de filmes inspirada no poema O Corvo (como esse mundo dá voltas e acaba voltando ao mesmo lugar, não é?), em que empresta sua voz à famigerada ave de mau agouro.

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