Livro de graça

 

Gaiman na Flip deste ano, em Parati. Foto de Gustavo Scatena/Imagem Paulista

Gaiman na Flip deste ano, em Parati. Foto de Gustavo Scatena/Imagem Paulista

O escritor e roteirista de quadrinhos Neil Gaiman anunciou esta semana em seu blog que, pelo período de um mês, em acordo dele com a HarperColins, seu romance Neverwhere, estará disponível para leitura online e dowload gratuito. Mais detalhes podem ser obtidos no próprio blog do autor, neste link.

Não é a primeira vez que Gaiman oferece acesso grauito pela internet a um livro de sua autoria, ainda que temporariamente. Em fevereiro deste ano, American Gods também foi colocado à disposição do público por um período de 30 dias

Obviamente, o PDF está em inglês, mas considerando que o livro tem edição em português pela Conrad custando R$ 55, vocês decidam o que é melhor.

Lugar Nenhum, nome que Neverwhere ganhou na edição em português, foi escrito primeiramente como roteiro para uma minissérie de TV, e depois foi transformado em um romance (o primeiro publicado pelo escritor, já na época mundialmente famoso pelo seu trabalho em Sandman e Orquídea Negra). A obra de Gaiman neste romance segue sua linha habitual de trabalho, reler com estilo próprio temas e personagens clássicos da mitologia e da grande literatura de fantasia e horror. Ele já fez o mesmo em Sandman, no qual musas, ninfas, fadas, duendes, escritores como Shakespeare, Mark Twain e G.K. Chesterton, além de divindades gregas, nórdicas e orientais, passeavam pelas páginas do gibi. Em Deuses Americanos, divindades germânicas e eslavas tramavam uma tentativa de retorno ao domínio do espírito humano, e em Os Filhos de Anansi um homem se descobre filho do Deus-Aranha Anansi, o senhor das histórias, divindade ancestral africana.

 

Lugar Nenhum

Lugar Nenhum

Lugar Nenhum é um pouco mais modesto, uma espécie de Alice no País das Maravilhas urbano com uma temática social disfarçada em alegoria. É a história de Richard Mayhew, um escocês que se muda para Londres e se torna um analista do mercado financeiro. Tem a vida bem encaminhada, com uma linda noiva que o arrasta por exposições pelos museus da capital inglesa e um emprego ótimo com possibilidades de crescimento. E um dia, quando está caminhando com a noiva por uma rua de Londres a caminho de um jantar importantíssimo com o patrão dela, um magnata das comunicações, Richard encontra na rua uma garota caída, debilitada e coberta de sangue. Sem saber o que fazer, tomado por alguma espécie de febre e por uma certa irresponsabilidade que nem ele próprio entende, Richard deixa a noiva na viela e carrega a garota para a sua casa, onde medica seus ferimentos. Depois que instala a moça em seu apartamento, ele recebe a visita inesperada de dois assustadores sujeitos com sorrisos cruéis, que estão à procura da moça dizendo-se irmãos dela.

Esse encontro fortuito é o ingresso de Richard em uma dimensão de pesadelo e fantasia. Depois que ajuda a misteriosa garota, chamada Door (sim, o significado do nome não é um simples acaso), a voltar para seu mundo, um lugar no subterrâneo chamado “A Londres-de-baixo”, Richard tem sua vida virada do avesso: sua mesa no emprego não existe mais, seu apartamento é alugado, as pessoas não o enxergam e sua noiva não o reconhece. Tocado pelo misterioso reino dos túneis sob Londres, Richard agora não pertence mais ao mundo da superfície, e vai ter de percorrer o subterrâneo em busca da garota para tentar ter sua vida de volta.

É aí que se oculta o comentário social de que falávamos, em uma alegoria que já foi usada outras vezes, mas que aqui resulta eficiente: o mundo subterrâneo como metáfora dos excluídos da sociedade econômica, onde as pessoas à margem, criaturas invisíveis na superfície, estabelecem suas próprias regras (sim, sim, até Claremont já usou isso com os Morlocks dos X-Men). A “Londres-de-baixo” de Lugar Nenhum é feudal, regida por famílias que, apesar da aparência andrajosa, ostentam títulos de nobreza que fazem referência a endereços famosos da capital inglesa. Earl’s Court, só para dar um exemplo, é uma corte regida por um conde que cruza os túneis em um trem invisível para os da “Londres-de-cima”.

Curiosos? Corram lá que o livro só só vai estar disponível por um mês.

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Uma resposta

  1. […] no Janeiro 19, 2009 por trezentos Neste post falei a vocês um pouco sobre Neverwhere, o primeiro romance de Neil Gaiman, publicado em 2007 no […]

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