Para não ler mais o Pato Donald

Está chegando um dia que eu particularmente pensei que nunca veria (não, não é o Inter Campeão do Mundo, esse eu também achei que não veria e vi). Identificados com o mal absoluto por esquerdistas malas sem senso de humor e praticamente sinônimos de quadrinhos e desenhos animados por décadas, os gibis da Disney estão pela bola Sete.

A notícia que faz soar o sinal de que as coisas estão pra lá de complicadas para o povo de Patópolis é o cancelamento da revista Zio Paparone (Tio Patinhas) na Itália, um dos poucos países (além dos EUA, claro) em que ainda eram produzidas histórias inéditas e onde os patos ainda gozavam de grande popularidade. Mas os sintomas já vinham se acumulando. Os estúdios Disney não produziam mais quadrinhos no Brasil, que sempre foi celeiro de uma produção intensa e de qualidade para as aventuras dos Patos.  Mesmo nos Estados Unidos a coisa não está muito boa.

Revistas com histórias inéditas da turma nas bancas brasileiras estão cada vez mais erráticas, e a empresa tem se dedicado a raspar o cofre daqueles que aprenderam a ler em suas páginas nos anos 1970 e 1980, lançando caras e luxuosas edições com a obra completa de Carl Barks ou especiais variados.

Fim de uma era, senhores. Mais detalhes neste texto de Marcus Ramone no site Universo HQ.

O que deixa a pergunta: quando não tivermos mais o Pato Donald, será que nas faculdades de história, sociologia e jornalismo ainda vão recomendar a leitura do libelo Para ler o Pato Donald, de Armand Mattelart e Ariel Dorfman?

Anúncios

3 Respostas

  1. Vamos combinar que desde os anos 90 as coisas já estavam meio capengas. As histórias eram muito ruins, embora bem desenhadas. Pior foi a tentativa de modernizar a imagem do Zé Carioca, colocando boné e tênis no pobre do lôro. Nem de longe lembrava o malandrão desenhado pelo Canini nos anos 60 e 70. O Tcheloco tem uma coleção encadernada do Pato Donald e Zé Carioca (pra quem não recorda, as duas revistas alternavam-se quinzenalmente nas bancas, porém seguindo a mesma numeração, como se fossem um mesmo título. Acho que chegaram a passar do número 2.000), uma verdadeira preciosidade.
    Pô, as faculdades ainda recomendam essa merda? Será que não cansam de mattelart na mesma tecla?

  2. Concordo contigo quanto à baixa qualidade, mas achei, ingenuamente, que algumas iniciativas como a “Saga do Tio Patinhas”, escrita e desenhada pelo Don Rosa com base no material do Barks, assinalava uma mudança em direção a uma melhora.
    Me enganei.

  3. Lembro como era bom comprar um daqueles Disney Especial (o gibi mais grosso da banca) e passar um tempão lendo. Apesar de eventuais porcarias, como as historinhas do Havita ou do Banzé, valia a o investimento.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: