Eles, Robôs

Wall-E começa com uma ponta de melancolia, apresentando o cotidiano solitário do pequeno robô-lixeiro em uma Terra completamente abandonada. O ritmo é lento e a ausência de diálogos obriga os animadores a se puxarem, narrando a história de maneira visual, como nos bons tempos do cinema mudo. O início promissor, entretanto, acaba cedendo lugar à correria e à pirotecnia de sempre, principalmente quando a ambientação se desloca do nosso planeta para o interior da nave Axioma.

As “expressões faciais” de Wall-E são calculadas estrategicamente de modo a despertar sentimentos de ternura no público. O velho recurso de antropomorfizar objetos inanimados é uma constante nos filmes da Pixar: brinquedos, carros ou robôs que sentem, agem e se expressam como humanos são a tônica do estúdio, que em sua própria assinatura já traz o Luxo Jr., o simpático abajurzinho que deu origem a todo o império, em meados dos anos 80.

Corrida Silenciosa (1971), de Douglas Trumbull (mais conhecido como o técnico de efeitos visuais responsável por façanhas como 2001 e Blade Runner), traz um simpático trio de robôs, carinhosamente apelidados de Huey, Dewey e Louie (Huguinho, Zezinho e Luisinho). Em um futuro não muito distante a vida vegetal na Terra se extinguiu por completo. Apenas algumas espécies da flora foram preservadas, sendo mantidas em estufas dentro de espaçonaves. Bruce Dern, o protagonista, está disposto a tudo para manter intacto o jardim da nave em que é tripulante, o que faz com que acabe entrando em violento choque com seus colegas embarcados. O conflito termina com a morte de toda a tripulação, inclusive Dern, e a destruição de dois dos três robôs.

Uma bela seqüência encerra o filme, com um solitário Zezinho cumprindo à risca a ordem dada por Dern em seu último suspiro, para que cuidasse do jardim. O início de Wall-E guarda semelhança com o final de Corrida Silenciosa. Entretanto, no quesito performance, existe um Saara de distância entre os robôs dos dois filmes: enquanto Wall-E é um ator de recursos ilimitados, uma espécie de Marlon Brando enlatado, o coitado do Zezinho mais parece uma lancheira sobre duas patas.

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Uma resposta

  1. Fora o fato de Wall-e ser cópia cuspida e escarrada do robô Número 5, de Short Circuit. E do Woody Allen, incluindo sua total incapacidade de se comunicar com o sexo oposto…

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