I Know Kung Fu

Continuando os posts sobre o filme The Matrix que começou com o The Matrix Revisited.


“What is the Matrix? Control. The Matrix is a computer-generated dream world built to keep us under control in order to change a human being into this.”

 

 

 

Depois de descobrir que você é uma bateria das boas. Que é consumido pelo sistema criado para tirar de você a sua liberdade e dedicar literalmente a sua vida toda para a produção de riqueza de quem você nem ao menos sabe quem é, só lhe resta fazer uma coisa. Escolher o seu caminho.

Se você optar por escolher o caminho de Neo, o conhecimento, você vai penar. O caminho é mais difícil do que a difícil tarefa de despertar. O caminho mostrado no filme é o mesmo dos monges. Disciplina em primeiro lugar. Disciplina alcançada através do controle do que está neste plano antes de conseguir controlar outros planos. Disciplina através das artes-marciais. É aí que Neo aprende kung-fu.

No filme está explicito uma coisa. Não basta treinar o corpo, é necessário que a mente saiba o que está acontecendo. Para controlar a sua mente, você deve fazer uma coisa… pensar.

Pensar é o que Morpheus tenta ensinar para Neo. Como Neo realmente quer compreender, o resultado é claro, mais rápido. Não quer dizer que para qualquer outro é impossível. O caminho do conhecimento não é uma corrida. Não há o conceito de tempo para isso. O conhecimento deve ser compreendido. Você precisa pensar sem pensar. Precisa sentir que sabe.

É a diferença entre conhecimento e sabedoria. Um cientista sabe que pode partir o átomo, mas não é sabedoria assassinar milhares de pessoas com uma bomba atômica. Por isso é necessário libertar sua mente e preparar o terreno, transformando conhecimento em sabedoria. É exatamente o que os alquimistas queriam dizer com transformar chumbo em ouro. Não estavam falando de metais, mas sim de nós mesmos. Neo desperto já possui algum conhecimento, ele é chumbo. Agora ele precisa transformar sua essência para se transformar em ouro. Aprender a pensar.

Pausa: Quem aprende artes marciais, qualquer uma, com um mestre que realmente sabe o que significa o que está ensinando, você ouve uma coisa que no início parece muito estranho.

– Você vai aprender a bater, para nunca precisar fazer isso.

Depois que você é iniciado, você compreende. Não é simplesmente bater, mas saber o que pode acontecer se você fizer isso. Não é um soco, mas a energia concentrada num único ponto. Concentração é a chave para muitas coisas. Tem um golpe no karatê, que você precisa sentir o pé muito firme no chão. A base dá a sustentação e o princípio do golpe. A força é impulsionada lá do pé até chegar na mão que finaliza o processo. A energia desse golpe é muito maior do que qualquer mata-cobra que boxeador dá. É a diferença da força bruta e da força que vem da sua mente.

Durante o treino de kung-fu, Morpheus tenta libertar a mente de Neo para que ele consiga largar o raciocínio bitolado que teve por toda a vida, acreditando somente naquilo que a Matrix lhe dizia que era a verdade.

– I’m trying to free your mind, Neo. But I can only show you the door. You’re the one that has to walk through it.

Libertar a mente. Aprender a pensar é difícil… não existem por aí muitos livres pensadores. Por isso as vezes é necessário alguém que consiga abrir o caminho a facão, tentando libertar outras mentes e deixando alguma mensagem que possa ser útil.

Neo ainda não acredita, por isso ao pular do prédio ele cai. Ele ainda não percebeu que apesar do sistema dizer que ele não pode, ele pode se realmente quiser. Isso nad tem a ver com o plano físico, mas com física quântica. Vejam só… Morpheus também é cultura.

Falando em cultura, o jeito que vivem os tripulantes de Nabucodonosor é totalmente o contrário do que se espera de quem na teoria é superior. Na Matrix, superiores comem em restaurantes finos e caros. Na realidade que realmente importa, esses valores não representam absolutamente nada. Embora exista uma hierarquia, eles se respeitam mais do que necessariamente obedecem. Eles vestem trapos, sem vaidade, maquiagem e coisas mundanas em geral. Eles não comem carne, só uma papinha com aparência idêntica da comida típica dos monges budistas.

Tem gente que se acostuma. Tem gente que aceita. Tem gente que gosta e se despoja de toda a vaidade e se dedica ao caminho da evolução e livre pensamento. Tem gente que está tão preso ao mundo material e materialista que não importa se sabe ou não a verdade… o indivíduo simplesmente diz não e prefere esquecer. Prefere a zona de segurança oferecida pelo sistema e continuar a viver na completa ignorância. É o caso de Cypher e de bilhões de cabeças de gado, que simplesmente preferem não evoluir… e o que é pior… tem a ilusão de serem felizes desta forma, porque é apenas ilusão que a Matrix tem a oferecer. É a sensação ilusória de felicidade que traz uma barra de chocolate.

Cypher é o traidor, mas não é uma pessoa má. Ele apenas é uma pobre alma tão apegada aos valores inúteis do mundo material que é capaz de fazer qualquer coisa, até mesmo matar. Qualquer coisa, desde que esqueça de tudo e possa viver de forma abastada, servindo a Matrix até que esta não possa mais usar sua energia e o descarte como uma bateria velha. Sua traição é a perdição de todos os outros, mas na sua mente egoísta é o mais certo que pode fazer. Não há arrependimento para quem não tem consciência do que faz.

Ele é o que em várias religiões explicam como um “espírito não evoluído”. Não importa o nome que você dê. O negócio dele é estar na Matrix, fumando, bebendo, comendo carne quase crua e satisfeito por não se preocupar com nada. Não importa o que tenha existido antes e não importa o que pode existir depois.

Cypher faz o acordo de Judas, vai “dar o serviço pros hômi”. Só esperando o momento certo para entregar Morpheus para os agentes do sistema. Assim que eles se inserem no plano da Matrix, Cypher larga o celular ligado numa lata de lixo, para quando voltarem  da visita ao terreiro, digo, oráculo.

Continua no próximo post.

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3 Respostas

  1. cdsadcrfdcasdgfdgfgfffffff

  2. Eu aprendi a socar, para quando precisar socar saber socar. Ass. Master

  3. Nós somos escravos do materialismo capital, da religião, da economia, dos sistemas ideológicos, da pseudo-ciência, da educação, do tempo linear também conhecido como Matrix.

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