The Matrix Revisited – Parte 3

Se você não leu os outros posts, melhor não começar por este aqui

O último conselho da deusa tríplice antes de fechar a porta… Seja honesto.
Neo, assim como qualquer um que almeja saber mais do que está no plano em que vive, precisa ser honesto consigo mesmo. Não minta que deseja o conhecimento apenas por curiosidade. Ser apenas curioso não vai levar você ao caminho do sábio. Se avançar por curiosidade, vai acabar esbarrando com algo que não estava preparado para experimentar. É o que acontece quando se atira pérolas aos porcos, eles não sabem o que fazer com elas.

É neste ponto, a honestidade com você mesmo que finalmente Neo encontra com Morpheus de forma consciente.
Ser ou não ser?
A liberdade de escolha, o livre arbítrio… aceitar ou não a verdade, por mais impossível que possa parecer aos olhos… saber a verdade e encarar o que você é. Não é bom… não é ruim… é apenas a verdade.
Na mão esquerda, o caminho contrário… a contra-mão… a pílula vermelha. Na mão direita, a aceitação de que é melhor não se envolver e continuar tudo como está. Neo está pronto para evoluir. Quem tem ouvidos, que ouça. Quem tem olhos, que veja.

A pílula vermelha
A pílula é um signo, um símbolo de que você a decisão foi tomada. Trinity e Morpheus apenas mostraram o caminho, nada mais.
O signo tomado leva ao caminho. Não é nada além do que a conjuração mágica que pode levar o iniciado no caminho da verdade gnóstica – no caso Neo – até o próximo passo. É a primeira pista do próximo condutor de almas. O que leva a consciência de Neo do estado de Thomas Anderson para o estado desconhecido. Na antiguidade se chamaria plano astral. E quem na antiguidade tem a missão de fazer o tráfego de informações entre os deuses e os homens? Quem corre mais que qualquer um e serve de ponte entre os dois mundos? Hermes, também conhecido como Mercúrio… Mercúrio… metal líquido… o espelho partido que se conserta sozinho.
– Você viu isso? – indaga Neo ao se deparar com Mercúrio. Ao tocar nele ele é correspondido.
Neo se apavora tanto quanto qualquer um na beira daquilo que acha que é a morte. Mercúrio então o leva para o outro estágio de existencia.

Ele então acorda no absoluto desconhecido. Não compreende nada o que vê e muito menos pode reclamar da situação. Ele está acordando do outro lado. Ele fez a passagem do plano A para o plano B, mas ainda não compreendeu o que pode fazer com isso.

Para o sistema, Thomas Anderson está morto. Não tem mais serventia. Não pode mais ser consumido por ele. Anderson é um peso que deve ser substituido. O sistema cruel que dá apenas o suficiente para sua existencia tira tudo que pode do indivíduo. Quando este não é mais produtivo… descarte o mais rápido que puder. É o que faz a máquina que percebe a inutilidade de Neo ao sistema. Ela homologa sua nova consciência. Quem é que assina o atestado de óbito na antiguidade? A morte em pessoa. Só para manter a linha de raciocínio, neste caso este condutor é Thanatos, o deus da morte. O que conduz o morto pelos túneis até o Reino Subterrâneo. Até Hades.

Ao chegar no reino subterrâneo, Neo finalmente encontra o último dos condutores de alma. O barqueiro. Esse todo mundo já viu na sessão da tarde… O barqueiro se chama Caronte, que leva a alma até o reino de Hades em seu barco. Adivinha só que barco é esse? Isso mesmo… o hovercraft. É ele quem conduz de maneira sutil as almas que não servem mais ao sistema. Muito pelo contrário… sabendo como realmente as coisas, eles lutam para que todos saibam como são manipulados e conduzidos.

Rest Neo
Agora só resta a Neo descansar enquanto todo mundo o ajuda a enfrentar a nova realidade.

Pausa: Na antiguidade, religiões e cultos realizavam rituais assistidos, experimentando meditação profunda, viagens astrais, contatando outros planos de existencia… Para os que estudam Kardecismo, após a morte do corpo, o indivíduo passa por um longo processo de adaptação para conseguir enfrentar a etapa seguinte… Para outras religiões, o sujeito passa um tempo no limbo antes de estar pronto para prosseguir e assim por diante. Não importa o nome que você dá, depois de conseguir ir além, com a possibilidade de voltar ou não, em qualquer religião, você precisa de assistência.<br />

– Meus olhos doem.
– É porque você nunca os usou antes.
A reclamação de Neo e a resposta de Morpheus é profundamente ligada a diversos cultos. Até mesmo para os católicos. Oculto na enfermaria, estão diversos tratamentos que na verdade são rituais de cura orientais mascarados. O único mais conhecido no ocidente é acupuntura. Surpresa, você não morreu. Você despertou.

O que acontece com aquele que finalmente desperta para a verdade e encara a Matrix? Está pronto para ouvir as respostas.

Bem-vindo ao deserto do real
Agora o bicho pega.
Você, digo, Neo está dentro de Nabucodonosor. Isso não é qualquer nome. Nabucodonosor(não é legal escrever esse nome? Isso é que é nome de rei)… rei da Babilônia que teve um sonho interpretado no Livro de Daniel. Outra coisa interessante. Junto com o nome da nave, por um segundo, fica estampado na tela toda o nome da dita cuja nave. Ali está um número de série: MARK III NR. 11.
Direto na bíblia, Marcos – Capítulo 3 – Versículo 11: “E os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e clamavam, dizendo: Tu és o Filho de Deus”). Muito apropriado.

O que é real e o que não é? Qualquer coisa pode ser real e tudo é possível, desde que criado. Materializado por um pensamento. O pensamento torna real qualquer coisa desde que você focalize no que está “sonhando”. Se é assim, você não é apenas um conjunto de átomos agrupados que neste plano existencial é conhecido por carne, osso e sangue. Assim como Yoda já explicou, seres luminosos somos nós, não esta rude matéria.
Agora desperto, Neo acompanha seu condutor, Morpheus, num exercício de meditação profunda. Ligados num ritual egípcio, digo, no mainframe da nave, o condutor tem a missão de explicar o que afinal é a verdade.
Na antiguidade, os sacerdotes praticavam rituais de concentração para que seu corpo astral visse tudo de fora, entrassem em contato com outros planos de existencia e outras coisas. É o que acontece durante a explicação de Morpheus. Os plugs que ligavam Neo a matrix não aparecem quando ele está inserido nessa outra realidade. É a imagem residual, conhecida em várias religiões sob outros nomes. Alguém viu um fantasma? Mais ou menos isso. Segundo o Kardecismo, você é igualzinho a você mesmo durante algum tempo depois que “bateu as botas”. Quando você se projeta em profunda meditação, você cria uma imagem residual de você mesmo para se localizar dentro dos pensamentos.
Morpheus explica a Neo o que é a Matrix. É o sistema que cria vida para consumir. Impõe regras para serem cumpridas. É assim com a moda, cigarro, bebidas caríssimas, carros espetaculares, corpos perfeitos através de cirurgias e toda a futilidade do mundo, que obriga o indivíduo a perseguir coisas das quais não precisa. Os seres humanos não nascem e são cuidados pelos pais. Eles brotam e são largados em creches pagas, alimentados desde cedo pela indústria. São números numa estatística de produção de riqueza para qualquer empresa ávida por lucro.
Não é ficção, mas metalinguagem aplicada para mostrar o que somos.
– Não sabemos quem começou, mas fomos nós que riscamos o céu.
Não sabemos como que começou com essa sede de riqueza, poder, ganância, vaidade e etc… mas fomos nós mesmo que deixamos acontecer e esquecemos dos valores que realmente importam. Essa é a guerra travada. É por isso que eles estão em guerra contra o sistema, a empresa, a igreja e qualquer coisa que faz tudo que pode para manter você na coleira.

Você é uma Duracell
Pelo menos, não é uma baterial vagabunda qualquer. Você gera calor e energia, consumida pelo sistema que vende tudo que porcaria material e espiritual. Você é impedido de pensar por conta própria, pois precisa pensar em como vai conseguir dinheiro para comprar aquela coisa absolutamente inútil no canal de vendas da televisão a cabo.
Você é uma bateria de luxo, mas não passa disso. Enquanto você for útil ao sistema que te consome, ótimo. Quando não for mais necessário, adeus. Produzir mais e mais riqueza, dando mais e mais poder para meia dúzia de marcas. Quanto menos você souber, quanto menos você pensar, quanto mais você consumir… mais preso na Matrix você é.
Compre CDs, pague os impostos, veja televisão, compre o grill, você precisa exibir seu carro, mostrar que pode mais, mostrar que tem mais, consumir mais, ser mais descolado, mais hype, mais coca-cola, mais aquela calça da Forum… Leia mais aquele jornal que espirra sangue. Não leia aquele que informa. Não leia aquele livro chato de filosofia. Não se informe. Não busque respostas. Não se eduque. Não evolua. É isso que é a Matrix.

E você? Tem vocação para Neo ou prefere ser uma Duracell?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: