Indiana Jones



E o reino da caveira de cristal…

Então… eu vi.
Vi, gostei e sustento.

Sei que vai ter bastante gente malhando o filme, mas fazer o que…
O filme é movimentado, engraçado, ágil… O herói sabe direitinho que não é mais guri para fazer algumas coisas, ao mesmo tempo que na hora que precisa… ele dá conta do recado.
Pensando bem… existem dois filmes que realmente valem a pena na história de Indiana Jones: Os Caçadores da Arca Perdida e O Reino da Caveira de Cristal. Claro que não estou renegando os outros dois, mas… eles servem agora para colocar lembranças entre o primeiro e o quarto filme.

Para mim o primeiro apresentou o personagem. Mostrou que ele é um professor que nas horas vagas rouba túmulos, ou seria o contrário? Bem, não importa. O que interessa é que munido de seu cinto de utilidades, digo, chicote, revólver, chapéu e claro, muita astúcia, ele resolve qualquer problema. O personagem é forte, fica com a mocinha no final, embora não veja para onde o objeto de desejo acaba indo. Herói dos heróis, ele se machuca, não é como o Superman ou Rambo. Ele se machuca e é humano a ponto de rir, se assustar e parecer que absolutamente nada vai dar certo. Ao mesmo tempo, quando precisa, ele nunca erra um tiro ou o alvo do chicote.
No segundo, a aventura pura. Não tem o que falar de Indiana Jones. Ele é aquilo ali mesmo… Você sabe que pode confiar. Sabe que ele vai dar um jeito. Ele vai lá e resolve… Não como Rambo, apelando para a força sem cérebro, mas como Clint Eastwood fazia nos Westerns, Indiana Jones resolve sendo literalmente safado. O herói é sem-vergonha a ponto de colocar uma criança em perigo real e dizer que o chinesinho é apenas um amigo. Novamente é claro… salva a pátria invocando um deus indiano e fica com outra mocinha.
No terceiro ele está do lado do pai, contra os nazistas queimadores de livros e usurpadores do poder divino. Que de pior podiam fazer para um professor do que queimar livros? Talvez o salário na rede pública, mas isso não vem ao caso. O filme termina com uma cena fantástica, os quatro cavaleiros indo em direção do por-do-sol…
Agora, ele está mais velho, mais sábio, mais sagaz, mais Indiana Jones do que nunca. Ele encara o mundo que está muito diferente do que costumava ser de frente, sem deixar que isso o aborreça. Só a mediocridade humana é capaz de fazer isso, porém, quando ele é acusado injustamente, a primeira coisa que faz é conseguir outro emprego… para depois ver o que fazer. O que significa? Ele não pára. Não deixaria a situação do seu mundo afoga-lo, só porque o peso da idade está maior. Ele não desiste, porque é o doutor Jones.
Por mais absurda que seja a situação, ele encara. Até mesmo o medo de se relacionar verdadeiramente com uma mulher ele finalmente encara. Bom, se ele consegue encarar até mesmo a possibilidade de um relacionamento mais profundo, o que são algumas armadilhas Maias, formigas carnívoras, um rafting básico e algumas perseguições de carro? Nada demais, principalmente para aquele que adora tanto o seu trabalho que só falta brilhar os olhos com a possibilidade de mais uma aventura.
Se a aventura se apresenta para ele, ele não recua. Nem mesmo com o peso da idade ou com vinho. A pureza da história me fez lembrar sim outra história, não de Indiana Jones, mas do Cavaleiro das Trevas. Mesmo velho, mesmo sabendo que as coisas não são mais tão fáceis… mesmo não batendo tão forte quanto antes… Nem Batman nem Indiana Jones recuam.
Saí do cinema com a alma lavada. Imaginando como teriam sido as aventuras em Berlin, as lutas contra os nazistas durante a guerra e depois as outras tantas contra os soviéticos. Mas que diabos ele fez durante esse tempo todo? Quantas mocinhas ele até tentou mas não conseguiu se apaixonar? Quantos outros artefatos ele cavou?
É uma pena que tenha acabado. Claro… tudo é uma questão de bilheteria, mas as cenas finais, antes dos derradeiros créditos subirem e o tema tocar, a cena do chapéu apontando que não mais terá aventura alguma… é bem triste. Pelo menos, para um fã.

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4 Respostas

  1. Área 51. Extraterrestres. Espionagem. Drama familiar. Adaptando a famosa frase do Salsicha: “Indiana Jones, onde é que está você, meu filho?”

  2. Spielberg conseguiu fazer, com esse filme, ao mesmo tempo Indiana Jones IV e ET 2.

  3. Como eu disse prá vocês por e-mail, após ler a resenha do Omelete e aproveitando também o excelente comentário do Derli (parabéns, bem-vindo de volta), repito: concordo com tudo. O filme, sim, é tudo isso – mas se fosse um pouco menos, seria mais.

  4. Sonífero…

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