A Última Legião

Confesso que o trailer nos enganou e conseguiu fazer com que fôssemos à sala de cinema assistir “A Última Legião”. Que decepção! Apesar da desconfiança sobre o prazo de validade dos filmes épicos de capa e espada (no atual momento do cinema), fui conferir este, por falta de opções.

Logo no início percebe-se que os diálogos e as intepretações são fraquíssimas, beirando o amadorismo (quando não adentrando de cabeça). Destaque (negativo) para o roteiro e para a direção. Tudo muito mal feito. Os atores principais não convencem de forma alguma. Os mocinhos são fracos, os vilões são patéticos. Até os coitados dos figurantes foram pessimamente dirigidos, parecendo peças de um presépio motorizado.

Não bastassem todas as furadas, tentaram criar um romance absurdo. É ridículo ver a modelinho indiana guerreando cheia de caras e bocas, esforçando-se para ter charme e sofisticação sem sequer conseguir andar direito. O rapazinho Rômulo tenta fazer expressões do tipo “I see dead people!”, que não combinam com o filme, muito menos com um César (principalmente depois dele assumir a condição de herdeiro da linhagem). Cenários toscos, feitos basicamente com fotos tratadas por computador, combinam com efeitos especiais cômicos. A guerra contra os malvados é pífia. O discurso de Aurelius antes da batalha é sonolento (e era pra ser o ponto alto do filme).

A tradicional invasão bárbara vinda da floresta e descendo o morro foi ridícula. Meia-dúzia de gatos pingados, fantasiados de ogros tentam mostrar o poder de uma civilização que estaria derubando Roma. A chegada da nona legião é desanimadora. No meio de uma batalha “sangrenta” (onde não aperece sangue em momento algum), cheia de movimentos coreografados para ninguém se machucar, chega a salvadora legião. Mas chega com uma preguiça, com uma malemolência, com uma pressa danada. Dá tempo até, entre uma espadada fajuta e outra, de dar um tchauzinho para o amigo Aurelius. O grandalhão ruivo não coloca medo em ninguém.

A ilha-fortaleza de Capri parecia mais um spa, uma Ilha de Caras. A liberdade que dão ao prisioneiro mais importante faz com que ele – olhe que sorte! – encontre lá mesmo a espada mais poderosa do mundo (e, não perca, no final do filme há uma “fantástica” revelação da origem do nome Excalibur). Em resumo, este filme deve ter sido inspirado (mas não teve competência para chegar aos pés) em “Os Trapalhões Nas Minas do Rei Salomão” e poderia ser mais um da série “Deu a Louca na Última Legião”. Aliás, por falar em série, o filme dá margem para uma continuação… Socorro!

(Colaboração do amigo Maurício Simões, recebida por e-mail.)

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