Grécia de Alfa a Zeta

Aproveitando o gancho do lançamento do épico 300, baseado na magistral Graphic Novel de Frank Miller, o jornal inglês The Guardian lançou o que provavelmente é o melhor material jornalístico sobre a Grécia Antiga e suas relações com Hollywood publicado nos últimos 30 anos: um dicionário em verbetes de A a Z sobre personagens, temas e mitos gregos e a maneira como eles foram abordados pelos estúdios de Hollywood. Traduzo e publico abaixo alguns dos verbetes mais engraçados dessa que é uma sensacional peça de humor irreverente, british, of course:

Afrodite – Deusa do amor, quase sempre interpretada por Ursula Andress ou alguma outra loira voluptuosa.
Cuecas – Muitas vezes visíveis sob os saiotes perigosamente curtos que os guerreiros usavam.
Deuses – Numerosos, chegados a uma discussão, exigentes, intervencionistas e temperamentais. Eles sentam-se ao redor do Monte Olimpo causando problemas e tratando os mortais como brinquedos. Não admira que eles tenham sido suplantados pelo monoteísmo poucos séculos depois.
Helena de Tróia (nascida “de Esparta”) – O rosto que lançou ao mar mil navios – e então afundou alguns deles. Encrenca, basicamente.
Heródoto – Contemporâneo da batalha de Termópilas em 480 a.C., ele escreveu um brilhante roteiro para Os 300 de Esparta, que passou os 2500 anos seguintes em desenvolvimento.
Idioma – Todos falam uma variante de Inglês, então, afortunadamente, Gregos, Macedônios, Persas, e todos aqueles povos orientais distantes subjugados por Alexandre não precisam de intérpretes. Veja também Sotaques.
Ilíada – Narrativa de Homero sobre a Guerra de Tróia. O clímax é a morte de Heitor nas mãos de Aquiles, e não o estratagema do cavalo de Tróia ou a queda da cidade. Isto levou à demissão de Homero da Warner Brothers como roteirista de Helena de Tróia (1955) – que, com seus cenários suntuosos, seus belos mas inexpressivos protagonistas Rossana Podesta e Jack Sernas, e a direção de Robert Wise (que mais tarde dirigiria A Noviça Rebelde), deveria ter sido um musical: Okla-Homer.
Lira – Acessório importante para poetas de cabelo branco.
Nestor – Eu não consigo lembrar quem ele era ou em que filme ele aparece – minha cabeça está confusa com todos esses gregos – mas eu tenho certeza de que ele aparece em algum lugar e eu não tenho outros verbetes para a letra N.
Sotaques – No final dos anos 50, Hollywood estava convencida de que os gregos antigos falavam um tipo de inglês shakespeariano que pareceria deslocado na Stratford de 1930. Richard Burton, como protagonista de Alexandre, o Grande (1956), declama como se estivesse fazendo Hamlet. O estranho sotaque americano também pipocou por aqui e por ali (Richard Egan interpretando o rei Leônidas em Os 300 de Esparta, de 1962), mas um sotaque irlandês é hoje mais ou menos “de rigueur”, como no Alexandre de Oliver Stone, em que um grupo de jovens irlandeses, evidentemente modelados no U2, dominam todo o mundo conhecido.
Téspios – Não, não são todos os atores de teatro ingleses que fizeram uma boa grana interpretando gregos (Ralph Richardson, Laurence Olivier, Richard Burton, Cedric Hardwicke), mas os 700 bravos que permaneceram (e morreram) ao lado dos 300 espartanos nas Termópilas. Presumivelmente, um filme chamado Os 700 Téspios não teria o mesmo apelo.
Vangelis – Deus Grego das trilhas sonoras. Produziu uma para o Alexandre de Oliver Stone que, notavelmente, soa como seu trabalho anterior para Carruagens de Fogo – sobre britânicos “olímpicos”, é claro.
Xerxes – Um monarca persa doido; Revirava os olhos e cofiava a barba em Os 300 de Esparta; e é ultra-brega e pintado de tinta dourada em 300. Grande exército, mas absolutamente nenhum cérebro. Ainda assim, uma figura fundamental na história do mundo e extremamente útil em listas de A a Z como esta.
Zeus – o maior dos deuses. Ele se levava extremamente a sério. Tinha uma boa mulher chamada Hera, que aguentava suas numerosas infidelidades e o fato de que eles têm vivido juntos pelo que parece ser uma eternidade. Geralmente interpretado por Laurence Olivier, embora hoje provavelmente teria de ser Anthony Hopkins.

O link para o texto original, em inglês, está aqui.

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