A gênese dos Heróis


Não, eu ainda não vi Heroes.

Não vi porque não tenho TV a Cabo, mas tudo o que já li ou ouvi foi fazendo uma conexão de pensamentos na minha cachola sobre as origens dessa que parece a nova mania dos televiciados. A princípio, o fator originário dos poderes de cada pessoa retratada na série, mutação genética, é uma ligação clara com X-Men, mas não a única. O fato de o ângulo de abordagem ser o de poderes concedidos a pessoas normais que não sabem direito o que fazer com eles – mas que sabem que a alternativa mais sábia, ao contrário dos quadrinhos, NÃO é vestir um colante colorido e sair pulando por telhados – o aproxima, contudo, de Rising Stars, outra história recente, criada nos quadrinhos, coincidentemente, por um sujeito que se projetou como roteirista de um seriado de TV, J. Michael Straczinski, autor do ótimo Poder Supremo e da fraca fase atual do Homem-Aranha. Parêntese: também ironicamente, um dos co-produtores executivos de Heroes é Jeph Loeb, que fez nome nos quadrinhos com sua parceria com Tim Sale em histórias especiais do Batman como O Longo Dia das Bruxas. Voltemos: em Rising Stars um fenômeno ocorrido no céu em uma determinada noite afeta todos os bebês que estavam em vida intra-uterina naquele momento em uma cidade do interior dos Estados Unidos (113 crianças, para ser exato). O governo arrebanha todo mundo e os trancafia num camping para serm observados à medida que crescem, mas os pais das crianças conseguem uma decisão da Suprema Corte que os autoriza a se responsabilizarem eles próprios pelas crianças, até porque elas não haviam cometido crime algum. Eles crescem e cada um segue sua vida: um se torna policial, outro, um herói contratado por ume empresa de seguros. Outro, se torna poeta. Outra, modelo. Outra, cantora. Até que um assassino não identificado começa a matar os “especiais” com os menores níveis de poder – pelo que eu li, há também um assassino serial de superseres em Heroes.

E o próprio mote de Rising Stars era muito semelhante ao do Novo Universo Marvel lançado – e naufragado – nos anos 80, sob a orientação e liderança do editor Jim Shooter, com a intenção de contar histórias mais adultas em um universo interconectado mas com mais semelhança ao da vida real naquela época. A origem do “Novo Universo” era um misterioso clarão que tomava conta do mundo – um sujeito em coma acordava com superpoderes, por exemplo, e detonava uma série de ações que davam origem os novos “heróis” desse universo: Trovão, o robô inventado pelo parente de uma garota que, ao descobrir a trama, usava o traje para se vingar. Estigma, um motoqueiro que, andando pelas montanhas de uma cidade que eu não me lembro qual (talvez fosse San Francisco) encontrava um alienígena agonizante que lhe transmitia uma “marca”, um sinal que o tornava superpoderoso. Havia também Justice, um alienígena com visual “punk” que era um justiceiro de outra dimensão, na mão esquerda projetava um escudo e na mão direita uma espada. E o Máscara Noturna, um sujeito que havia recebido depois de um acidente a capacidade de caminhar nos sonhos de outras pessoas. Na época, o conceito foi um fiasco de vendas e decretou a morte dos personagens (aliado ao fato de que apenas algumas dasa histórias eram realmente boas).

Como se vê, a premissa de super-heróis realistas não é necessariamente novidade (e isso que eu nem falei de Watchmen).

Porque como disse certa vez um criador de quadrinhos que eu não me lembro quem era:
Nos dias de hoje, só um débil mental usaria a cueca por cima da calça.

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6 Respostas

  1. Em tempo…
    As “descoberta” dos poderes pelos nossos amigos em Heroes, coincide com um Eclispe… ops…

  2. Ops… corrigindo…
    A “descoberta” dos poderes pelos nossos amigos em Heroes, coincide com um Eclipse… ops…”

  3. O que mais dá força às relações que eu apontei, rere.

  4. : )

    Lei de Lavoisier, filosoficamente falando:
    “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

  5. Concordo, discordo, concordo. Um dia faço um post sobre isso. Talvez quando eu tiver o poder de multiplicar o tempo (taí um que não vi nem no gibi, nem na série). Se bem que o japa Hiro pode parar o tempo – e isso já é bãodimais!

  6. Multiplicar o tempo não me lembro, realmente, mas há mais de um vilão nos quadrinhos com o poder de navegar no tempo e de manipulá-lo. Me lembro especificamente do Senhor do Tempo, um vilão encapuzado e sombrio que enfrentava a Legião dos Super-Heróis no século 30.
    Ah, sim: E há o Homem Múltiplo, dos X-Men, que pode gerar cópias de si mesmo, o que não deixa de ser uma forma de ter o dobro do tempo à disposição.

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